Semanada >   H. Jackson Brown, Jr.
When you lose, don't lose the lesson

domingo, março 30, 2008

Ainda não se habituaram?

Não se pode esperar verdade, quando a verdade não faz parte do quotidiano. Não se pode esperar espontaneidade, quando muita mentira se embrulha com pouca verdade. Não pode se esperar seguidismo simplório, quando a manipulação é de uma clareza chocante. Não se pode esperar inteligência, quando todos os dias nos tratam como palermas. Paciência...
Convenhamos, porém, que a dois passos das eleições, a vida da coisa vai ser de “face humana”, ou lá o que isso quer dizer. Por isso façamos a pose de gente atenta ao espectáculo da autenticidade, avisados, desde já, que a crueldade faz parte do ofício de governar, mas que vai abrandar circunstancialmente, para aliviar o ambiente e as cabeças dos cidadãos/eleitores/contribuintes - salazarentos incluídos - uma população de artificiosos crédulos, felizmente fora de qualquer teatro de guerra cruel.
É sempre aconselhável fazer uma leitura, mesmo que em diagonal, dos escritos e das opiniões do Professor Doutor em Direito Excelentíssimo Senhor Vital Martins Moreira. Na circunstância, recomenda-se um texto com o título "O mal-estar nacional", publicado em primeira mão no Público, anotado na íntegra no blog A aba da causa. Trata-se, tão somente, de uma forte critica aos fazedores de manchetes, as quais, ao que parece, malvados, só revelam os aspectos sórdidos, mórbidos, falsos, espectaculares (“É evidente que a vulnerabilidade da opinião pública ao enviesamento informativo e opinativo é tanto maior quanto mais atávica for a propensão para o derrotismo social e quanto menor for o nível de educação e de autonomia crítica na sociedade.”) da nossa vida colectiva que, ao contrário deste e tortuoso caminho das pedras sem sentido perceptível, deveria - para inglês ver - ser o sítio onde termina o arco-íris.
O tratamento noticioso é claramente enviesado para seleccionar e sublinhar os lados mais negativos da actualidade. Em princípio, só as más notícias são notícias, mesmo quando não são verdadeiras. É notícia o aumento da criminalidade, não a sua redução; a subida da inflação, não a sua descida; a elevação do desemprego, não o seu decréscimo; a erupção de um surto infeccioso, nunca a sua debelação; uma maior área de floresta ardida pelo Verão, não uma menor extensão; e assim por diante. Há dias, por exemplo, um jornal "popular" anunciava em manchete que os encargos dos empréstimos para compra de casa iam "voltar a aumentar", mas provavelmente nunca houve nem haverá nenhuma manchete a anunciar a descida de tais encargos, quanto tal ocorre. Há uma propensão atávica da generalidade dos media - incluindo os de serviço público - para uma certa dose de populismo noticioso, sublinhando a grosso os aspectos socialmente mais chocantes da realidade social e omitindo ou depreciando em geral as notícias que poderiam atenuar aquela impressão negativa.
Professor Doutor Vital Martins Moreira, in Público e A aba da causa

Reflexões sobre o PCP. Lisboa, Inquérito, 2.ª ed., 1990.

seta link A aba da causa Blogspot


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terça-feira, fevereiro 26, 2008

Procriações




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sábado, junho 16, 2007

Evidentemente, a vida e as coisas da vida

“A vida dos outros é tão moral (ou imoral) como a nossa”
In Estado Civil

Blog Estado Civil

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sexta-feira, maio 18, 2007

Sem pseudónimos nem heterónimos

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quarta-feira, maio 16, 2007

Um post com afecto



«Early detection of cancer, greater use of specialist surgery, screening programmes to detect cancer at an earlier stage and advances in chemotherapy and radiotherapy have all helped to increase survival rates.»

The Independent

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terça-feira, maio 01, 2007

Uma lista para os desqualificados

The 100 most influential books ever written: the history of thought from ancient times to today é o título de um livro recomendável escrito por Martin Seymour-Smith (1928-1978). O título pode ser entendido como pretensioso. Vasculhando aí uns “indíces”, desde os “tempos antigos” até hoje, conseguiremos certamente articular outros livros e outros títulos que impressionaram o andar das coisas ou a vida das coisas. Todavia, deixo a listinha que pode ter alguma utilidade. Não digo ler de empreitada os 100. Mas fazer uma escolha aí, sei lá, uns 20 seria muito útil.

I Ching; O Velho Testamento; A Ilíada e A Odisseia, de Homero; Os Upanishads; O Caminho e Seu Poder, de Lao-tzu; O Avesta; Anacletos, de Confúcio; História da Guerra do Peloponeso, de Tucídedes; Obras, de Hipócrates; Obras, de Aristóteles; História, de Heródoto; A República, de Platão; Elementos de Geometria, de Euclides; O Dhammapada; A Eneida, de Virgílio; Da Natureza da Realidade, de Lucrécio; Exposições Alegóricas das Leis Divinas, de Philo de Alexandria; O Novo Testamento; Vidas Paralelas, de Plutarco; Anais, Da Morte do Divino Augusto, de Cornélio Tácito; O Evangelho da Verdade; Meditações, de Marco Aurélio; Hipotiposes Pirrônicas, de Sexto Empírico; Novenas, de Plotino; Confissões, de Agostinho de Hipo; O Corão; Guia para os Perplexos, de Moisés Maimônides; A Cabala; Suma Teológica, de Tomás de Aquino; A Divina Comédia, de Dante Alighieri; Elogio da Loucura, de Desidério Erasmo; O Príncipe, de Maquiavel; Do Cativeiro Babilónico da Igreja, de Martinho Lutero; Gargantua e Pantagruel, de François Rabelais; Institutos da Religião Cristã, de Calvino; Da Revolução das Órbitas Celestiais, de Nicolau Copérnico; Ensaios, de Michel Eyquem de Montaigne; Dom Quixote, de Miguel de Cervantes; A Harmonia do Mundo, de Johannes Kepler; Novum Organum, de Francis Bacon; Primeiro Folio, de Shakespeare; Diálogo Sobre os Grandes Sistemas do Universo, de Galileu Galilei; Discurso Sobre o Método, de René Descartes, Leviatã, de Thomas Hobbes; Obras, de Gottfried W. Leibniz; Pensamentos, de Blaise Pascal; Ética, de Baruch Spinoza; O Progresso do Peregrino, de John Bunyan; Princípios Matemáticos da Filosofia Natural, de Isaac Newton; Ensaio Sobre a Compreensão Humana, de John Locke; Os Princípios Sobre o Conhecimento Humano, de George Berkley; A Nova Ciência, de Giambatista Vico; Um Tratado Sobre a Natureza Humana, de David Hume; A Enciclopédia, de Denis Diderot; Um Dicionário da Língua Inglesa, de Samuel Johnson; Cândido, de François Marie de Voltaire; Senso Comum, de Thomas Paine; Uma Pesquisa Sobre a Natureza Humana e a Causa da Riqueza das Nações, de Adam Smith; Declínio e Queda do Império Romano, de Edward Gibbon; Crítica da Razão Pura, de Immanuel Kant; Confissões, de Jean-Jacques Rousseau; Reflexões Sobre a Revolução na França, de Edmund Burke; Reivindicações dos Direitos da Mulher, de Mary Wollstonecraft; Uma Pesquisa Sobre Justiça Política, de William Godwin; Ensaio Sobre o Princípio da População, de Thomas Robert Malthus; Fenomenologia do Espírito, de George Wilhelm Hegel; O Mundo Como Vontade e Representação, de Arthur Schopenhauer; Curso em Filosofia Positivista, de Auguste Comte; Da Guerra, de Carl Marie von Clausewitz; Ou Isso/Ou Aquilo, de Søren Kierkegaard; O Manifesto Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels; Desobediência Civil, de Henry David Thoreau; A Origem das Espécies, de Charles Darwin; Sobre a Liberdade, de John Stuart Mill; Primeiros Princípios, de Herbert Spencer; Experiências sobre Híbridos das Plantas, de Gregor Mendel; Guerra e Paz, de Tolstoi; Tratado Sobre Eletricidade e Magnetismo, de James Clerk Maxwell; Assim Falou Zaratustra, de Nietzsche; A Interpretação dos Sonhos, de Freud; Pragmatismo, de William James; Relatividade, de Albert Einstein; Tratado da Sociologia Geral, de Vilfredo Pareto; Tipos Psicológicos, de Carl G. Jung; Eu e Tu, de Martin Buber; O Processo, de Franz Kafka; A Lógica da Descoberta Científica, de Karl Popper; Teoria Geral do Emprego, Lucro e Dinheiro, de John Maynard Keynes; O Ser e o Nada, de Jean-Paul Sartre; O Caminho para a Servidão, de Friedrich von Hayek; O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir; Cibernética, de Norbert Wiener; 1984, de George Orwell; Histórias de Belzebu para Seu Neto, de Ivanovitch Gurdjieff; Investigações Filosóficas, de Ludwig Wittgenstein; Estruturas Sintácticas, de Noam Chomsky; A Estrutura das Revoluções Científicas, de Thomas S. Khun; A Mística Feminina, de Betty Friedan; Citações do Comandante Mao Tse-tung, de Mao Tse-tung; Além da Liberdade e da Dignidade, de B. F. Skinner.

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terça-feira, abril 24, 2007

Que giro é o zapping



A cena de pancadaria que envolve o senhor inspector (Portugal dos Pequeninos), que desde há uns tempos anda a mandar todos à merda e à ópera, e o senhor Miguel Abrantes (Câmara Corporativa), é uma delícia digna da corda que estica nos tempos que correm. Por favor, continuem que estamos a gostar e já comprámos pipocas. E já agora digam qual é local, o dia e a hora em que se vão encontrar pessoalmente. Adorava estar presente. Conquanto não seja para um “agarrem-me para eu não lhe bater!…”.
Uma pergunta óbvia: mas afinal vexas conhecem-se?

Blog Câmara Corporativa > Altercação I
Blog Câmara Corporativa > Altercação II
Blog Portugal dos Pequeninos > Altercação II
Blog Portugal dos Pequeninos > Altercação III
Blog Câmara Corporativa > Altercação III

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segunda-feira, abril 23, 2007

Rapidamente um Provedor da Blogosfera

Somos um país de não-inscrição, mergulhado no nevoeiro, sem espaço público - por causa do salazarismo - deficientes na prática democrática, com medo, mergulhados em burocracia, apegados a privilégios e hábitos antigos, sempre com queixumes, cheios de ressentimentos e invejosos.”
José Gil
Para que ser português não seja mais, como escreveu Guerra Junqueiro, pertencer a um “povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai
Jornal da Pateira

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terça-feira, abril 17, 2007

O rumo contingente non-sense



O que somos incapazes de mudar,
devemos pelo menos descrever


Hoje uma amiga fez-me vacilar quanto ao meu futuro na blogosfera. “Os blogues, os blogos, os blagues ou raio o que isso é, são um nojo!”, atirou-me assim o desdém. Ainda ventilei entre dentes o meu Vida das Coisas mas, qual quê, de imediato calei e engoli, sendo que ela é professora doutora e eu um desqualificado e a coisa acabaria como se pode prever. A polémica não valeria a energia consumida - ela não mudará tão cedo de opinião e a blogosfera continuará a crescer e a ganhar influência, num processo natural de arrumação e de selecção.
Acresce, para a entender, que a minha amiga usa o computador para enviar e receber uns mails, dactilografar umas coisas e dar umas voltas na Internet, sendo que lhe sobra 95% porcento de velocidade de processamento e aí uns 99% de espaço em disco, tendo em conta as especificações do seu computador comprado para mostrar às visitas. Ou seja, a minha amiga tem muito mais piada quando fabrica notas manuscritas, até por que tem uma letra bonita e não escreve nada mal, ou quando lambe os selos para enviar os “posts” em postais por correio tradicional. Também é engraçada no dedilhar dos SMS extensíssimos gramaticalmente correctos.
No entanto, como seria de esperar, fiquei a moer a expressão tão arrasadora. Ponderei o grau de inutilidade e a perda de tempo a ler o próximo e a articular notas; considerei o gozo e a chatice; meditei sobre ganhos e prejuízos, entre tantos prós e contras. Não cheguei a nenhuma conclusão. À falta de uma boa razão para mandar às urtigas a blogosfera, tenho uma boa razão para continuar esta faina quase diária, a tentar dizer umas coisas sobre tudo, acabando regularmente por dizer nada. Mas é giro!… Faço parte daqueles que não fizeram o percurso esforçado vicioso dos mircs e dos chats e também não amontoo preconceitos.
Estou conquistado. Mas é muito provável que comece a descontinuar este "produto".

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segunda-feira, abril 16, 2007

Another day at the Asylum



In an effort to reduce spending and lower taxes, most of the mental institutions in the United States were closed in the mid 1980's. The patients were simply let out on the streets... where many of them still remain

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sábado, abril 14, 2007

Impulsos? Eles andam por aí…



What the Bleep do we Know?
À luz da física quântica, a física das probabilidades, «the impulse of the force acting on an object equals the change in the momentum of that object». Convirá ter em conta que «the center of mass is not always located on the object». Força e tempo, num contexto de massas, impactos, impulsos e inércias. Bom... mudando de assunto.



Contingência e crise
Para resolver questões de contabilidade tanto nos faz que seja feito pela esquerda ou pela direita. Números são números. 1 mais 1 convém ser igual a 2, conquanto um dos uns não seja cabimentado na rubrica de investimento quando na realidade é da despesa. Rigor e transparência. No entanto, preferimos que o assunto seja tratado por gente que nos é simpática. Mas quando essas pessoas, talvez emproadas pelas circunstâncias exteriores aos números, começam a divagar e a entrar na nossa casa com uma dose significativa de sobranceria, então é natural pensarmos em mudar os rostos, para quando tivermos de criticar não ficarmos com um nó na consciência. Manuela Ferreira Leite falhou porque atacou o pecado original desertificando os campos à volta ou seja, para preservar a árvore (do paraíso), começou a sulcar valas tão largas que estas se tornaram intransponíveis, deixando a árvore crucial isolada da floresta e aprisionando todos os portugueses, sabendo que a maioria estava (e está) inocente . Não foi Santana Lopes que fez inverter a conjuntura. Ele apenas foi um compactado de pretextos que todos, mas mesmo todos, esperavam - excepto, claro os do seu grupo.
O essencial do problema está instalado nas contas públicas, é verdade. Talvez por isso seja importante considerar os relatórios do Tribunal de Contas, já que é uma das últimas instituições a quem dispensamos crédito. Ser surdo às indicações do TC descambará para uma situação tipo certificados mal sustentados: no futuro sobrará sempre qualquer coisa por explicar e que nos embaraçará. Se há indícios fortes de baldroca, tenha-se a coragem de mudar as pessoas, por muita cobertura que apresentem no currículo político. Tanto mais quanto a última coisa que deve acontecer é o jogo ficar à vista - veja-se a Independente. Não importará saber se lá no fundo houve autenticidade, mas não nos devemos esquecer do gesto pedagógico de António Vitorino e de Jorge Coelho ao abandonarem o executivo de António Guterres. Para a maior parte dos eleitores não é argumentação suficiente sustentar a estratégia no esclarecimento do “rumo“ - no fundo o eleitor está-se a marimbar para o não espectáculo e quer o imediato. Antes, o que deve prevalecer é a explicação dos motivos de crédito, reconhecendo que é elementar entender por que devemos acreditar, e fazê-lo o mais próximo possível da veracidade, para que a coisa não entre no foro do metafísico ou do hermético. O sinal a entender com esta embrulhada no ar - aliás, reconheça-se, bem orquestrada - é que não nos serve de nada um Governo sustentado apenas na imagem do primeiro-ministro - aliás, já se tinha percebido isso com a passagem breve de Santana Lopes pelo lugar, mergulhado em “contingência“ (leia-se crise). Ao invés de uma potencialidade, acaba por ser uma fragilidade, para o próprio e para todos, como parece estar a ser provado.

Filhos de um Deus Menor

A ser verdade a notícia no Diário Digital, que nos informa sobre os dados da pobreza que tem vindo a crescer em Portugal, encontraremos aí mais uma razão para não empolar as certezas de “rumo”, mas optar por articular com rigor argumentos de crédito, neste caso, quanto a políticas sociais de retaguarda e efeitos palpáveis - usando do estilo do PM, o que interessa são os resultados, já que de intenções e objectivos anda o mundo cheio. E se esta notícia não é uma forte alfinetada do Compromisso Cívico para a Inclusão, tendo em vista questionar o “rumo”, então é o quê? Mais um elemento a desgastar a sustentabilidade dos certificados académicos? Não… não façamos jogos semânticos. Há crise - com todas as letras. Mas convém também assumir que 1.3 é um bom resultado. Falta é lençol para os pés dos mais desfavorecidos. Mas entretanto lá vamos falando em aeródromos...

Diário Digital

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segunda-feira, abril 09, 2007

Sobre o tempo que passou



Acreditem que não devem perder as notas que o Prof. José Adelino Maltez nos oferece para a leitura de hoje. Qualquer opinião seria presunção minha e já não tenho bicos dos pés de tanto me espetar, qual emplastro, nas fotografias dos outros. Deixo um recorte e um link para ajudar a chegar ao sítio que, com algum exagero, convenhamos, começa a ser qualquer coisa parecida com um “oráculo”. Até os que nunca o referenciaram, já lhe fazem vénia. Aleluia.
«Andamos a formar professores para que estes tratem de formar novos professores num ciclo de sucessivas intelligentzias que nunca sabem o que é a vida. Há cada vez mais professores de história, mais professores de filosofia, mais professores de literatura e mais professores de semiologia e cada vez menos historiadores, filósofos, literatos e de comunicadores. Como se muitas das actividades profissionais não nascessem desse pequeno grande nada que é a vocação, desse pequeno grande nada que é a vontade. Como se não pudesse haver self made men, e portadores dessa centelha de génio que é a inspiração.»
Blog Sobre o tempo que passa

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O gajo é doido!

Não, claro que não. Tontos somos nós que não temos o talento para passar por doidos.
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Repito-me nas leituras de blogs. É para isso que tenho uma coluna de links: para me repetir. Aí arrisco um ícone para destacar os favoritos e para me repetir. Repito-me e “quero cá saber disso“. Se as notas me agradam, não há sobressaltos em repetir autores, mesmo não os conhecendo, mesmo sem saber se são insuportáveis como pessoas. Repito-me, nem que seja todos os dias, se for esse o meu despacho. Repito, sobretudo, os blogues mais soltos, os menos situacionistas, os menos acomodados, que acrescentam o pensamento. Que escrevem bem. Repito amiúde aqueles que nos mandam à merda - eu incluído - com todos as letras e gramáticas, sem meios tons semânticos. E desta, uma vez mais, repito o Portugal dos Pequeninos, enxertando aqui um excerto de um post que reproduz parte de uma entrevista, creio que com uns dois anos, a Luiz Pacheco - sempre o Luiz Pacheco.
«Tenho um subsídio de 120 contos, graças ao Alçada Batista. E também ao Balsemão, que teve a feliz ideia de inventar o decreto do mérito cultural. O Santana despachou um decreto que favorece pessoas que estão na minha situação. Mas não é por isso que gosto do rapaz. O tipo sabe o que é bom. O que é bom para mim são umas garotas, que vêm cá de manhã para me fazerem a higiene. Não é mau.»

E um recorte de Comunidade.
É um bicho poderoso, este, uma massa animal tentacular e voraz, adormecida agora, lançando em redor as suas pernas e braços, como um polvo, digo: um polvo excêntrico, sem cabeça central, sem ordenação certa (natural); um grande corpo disforme, respirando por várias bocas, repousando (abandonado) e dormindo, suspirando, gemendo. Choramingando, às vezes. Não está todo à vista, mas metido nas roupas, ou furando aos bocados fora delas. Parece (acho eu, parece) uma explosão que atingiu um grupo de gente parada e, agora, o que está ali são restos de corpos mutilados : uma pernita de criança, um braço nu sozinho, um punho fechado (um adeus?... uma ameaça?...), um tronco mal coberto por uma camisa branca amarrotada. Ou seria, então, talvez, um desabamento súbito, uma avalanche de neve encardida, que nos cobriu a todos, ao acaso, aos bocados, e para ali ficámos, quietos e palpitando, à espera, quietos e confiantes, dum socorro improvável, cada vez mais (e as horas passam!) improvável, incerto, aguardando a luz da manhã, que chega sempre, que acaba sempre por chegar, para vivos e mortos, calados ou palrantes, ladinos ou soterrados, os que já desistiram da madrugada e os que, ainda, contra qualquer lógica, contra qualquer quantidade de esperança, confiam ainda e esperam
Blog Portugal dos Pequeninos > Luiz Pacheco
Luiz Pacheco no Sapo > Bibliografia

Nota de rodapé: atente-se que tenho vindo a sublinhar notas deste blog a troco de nada, nem sequer uma posição no blogroll, um mísero link, que, em abono da verdade, inserção para a qual me estou a marimbar. Tenha-se também em conta que fazer publicidade, de vez em quando, ao Santana Lopes é praticamente "serviço público".

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quinta-feira, abril 05, 2007

Mutatis mutandis




Pintura de Anselm Kiefer. A explicação deste quadro, interpretação de um poema, pode ser lida no blog de Yvette Centeno.

Blog Simbologia e Alquimia

Sense ètica, no hi ha estètica. Ni dignitat.

Blog Literatura e Arte

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quarta-feira, abril 04, 2007

Theory of every-living-thing

Andamos nós para aqui, atrasaditos, a ver se acertamos o passo com a Ibérica península, com a continental Europa e com o Mundo, e os outros lá fora, sem darem pelo nosso esforço lusitano e periférico, já se passeiam cientificamente noutra dimensão extra. Quando eles chegarem a conclusões sobre estas coisas invisíveis que julgamos ver, rebates de percepções e de consciências, ainda andaremos a discutir se será melhor construir pistas na Ota na horizontal ou na vertical, mantendo a dúvida técnica sobre como aterrarão e descolarão os aviões com os últimos gritos tecnológicos.
Por via do Zé Cavaco Silva e das suas Perceptions Management, com uma ajudinha do Pitigrili em NY, é possível aqui, neste Vida das Coisas, anotar os sublinhados sobre a Theory of every-living-thing, depois de navegar cuidadosamente em águas quânticas, ignorante e basbaque, claro. Ora, como vai para uns anos que duvido das certezas das pessoas do concreto - o que inclui gente muito bem licenciada - estas leituras sugeridas pelo José Mateus limparam-me a mente, sendo que retomo uma muito velha teoria, a de ser possível sonhar acordado, sem perder o pé, coisa aplicável ao pobre e ao rico. Surrealismos à parte.

Blog Claro
Blog Pitigrili
While I was sitting one night with a poet friend watching a great opera performed in a tent under arc lights, the poet took my arm and pointed silently. Far up, blundering out of the night, a huge Cecropia moth swept past from light to light over the posturings of the actors. “He doesn’t know,” my friend whispered excitedly. “He’s passing through an alien universe brightly lit but invisible to him. He’s in another play; he doesn’t see us. He doesn’t know. Maybe it’s happening right now to us.”
Einstein was frustrated by the threat of quantum uncertainty to the hypothesis he called spacetime, and spacetime turns out to be incompatible with the world discovered by quantum physics. When Einstein showed that there is no universal now, it followed that observers could slice up reality into past, present, and, future, in different ways, all with equal reality. But what, exactly, is being sliced up?
The American Scholar.org
And more important than this, that the observer in a significant sense creates reality and not the other way around. Recognition of this insight leads to a single theory that unifies our understanding of the world."

"Reality isn't a thing," he told me. "It's a process."
Cosmic Log

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segunda-feira, abril 02, 2007

A solução engendra outro buraco

Passaram quase sete anos desde que batemos com a mão no peito e admitimos que havia um buraco imenso, um poço tapado com um embuste nas rubricas, iludidos que foram os pacotes da despesas com os de investimento e vice-versa, entre outros endrominados expedientes para ir aguentando impolutos o regime e o sistema, entre diferentes vacas, as gordas e as magras, como que um estroinar de putos, ao desenvolvimento e ao crescimento, imitando a gente crescida que sabe de Estado e que sabe de Mercado.


Quando o buraco foi desvendado ao público, o pobre do contribuinte sabia o que isso queria dizer e quem iria corrigir os intrujices financeiras sistematizadas à boa maneira portuguesa. Sem se conseguir separar os gémeos, separando as culpas, se do da direita se do outro da esquerda, se da coisa pública ou se da coisa privada, lá se foi em rumor culpando o que ontem foi útil, mas hoje embaraçoso, com a conivência das elites - e vejam-se que elites… - e dos utentes sistemáticos das gamelas. Ainda hoje, apesar do coitado do Estado estar a ser o mau da fita - o que é conveniente, porque assim, sentindo-se culpados, os contribuintes pagam sem agitações incómodas - não conseguimos enxergar de modo claro se a responsabilidade recai sobre o patamar decisor do Estado se nos centros de decisão civis. Termos admitido que Portugal era o país do buraco - tal como a Rússia, o país/cesto sem fundo, insisto - também conseguiremos hoje, olhando para o tipo de “reformas” e para os balcões intermediários do Estado, quem foi e quem é ainda hoje o pessoal do défice que, se for verificado com alguma atenção, notaremos que apenas mudaram de lugar, mas mantém-se no circuito do dinheiro. Ora, não afastando os veteranos especialistas em distribuir o nosso dinheiro pelas capelinhas do projecto e da obra, não tenhamos qualquer dúvida que apenas estamos outra vez afazer jogos com os envelopes e com as gaveta. E o esforço na carteira do colectivo valerá zero, porque as taxas escorregarão todas para novas sangrias, mascaradas com outras seriedades, que justificarão, também as novas argumentações, a necessidade de comprar dinheiro barato lá fora para alcançarmos um crescimento satisfatório na contabilidade europeia que, tal como o anterior, não terá efeitos no bem-estar da vida do cidadão comum português - bem pelo contrário. E aí sim, daqui a uns sete ou oito anos, é que sofreremos os choques todos de uma assentada, atestaremos também o nível da nossa impotência democrática e o grau de manipulação a que estamos sujeitos quando se trata sobretudo de dinheiro e de negócios.

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Ó a ver se Parte…


Que alguns desses amigos andem preocupados com guerras do alecrim e da manjerona, fazendo da Ajuda o seu campo de tiro, ilustra bem a cultura indígena. Ao estalinismo de Estado responde o estalinismo das cliques bairristas (uns e outros detentores do dogma). O que pensam deste alarido o Millenium BCP e a EDP, mecenas do São Carlos e da Companhia Nacional de Bailado, respectivamente? O que pensam disto os jornais, que não investigam, não fazem perguntas incómodas, não apresentam números, não promovem o contraditório? E há tanto por onde pegar...
Blog Da Literatura > Oparte

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As caravelas e as tripulações

Quem dá o que tem, a mais não é obrigado”, diremos, todos os dias, aos nossos parceiros europeus, durante a presidência portuguesa.
A SIC- Notícias mostra os labregos à saída do estádio do Benfica. Pior, coloca-os a falar e a fazer trejeitos. Como é que uma raça tão estúpida, com um cagalhão no lugar do cérebro, pode ter descoberto o Mundo ou o que quer que seja? Nem o professor Karamba, nem o António Barreto têm resposta para isto.
O post pode ser lido no sítio de origem. No Portugal dos Pequeninos.

Blog Portugal dos Pequeninos > O Mistério

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terça-feira, março 27, 2007

Momento de gastronomia

As coisas, em termos de demonstração de dotes culinários, começam a dar frutos. As amigas não só me questionam sobre os meus gostos e paladares, mas prontificam-se para produzir coisas deliciosas. No sábado, num encantador jantar, a Ana tratou de apresentar uns magníficos canelonis, fechando com uma sobremesa, esta coisa com bom aspecto e agridoce, para “desenjoar”, disse a generosa anfitriã. Tudo regado com um Defesa tinto.


Canelonis recheados de requeijão e espinafres


Coisa deliciosa, que não me recordo do nome, mas sei que tem gelatina, amoras, morangos e…

Como se não chegasse, ontem a Inês resolveu manifestar os seus talentos para a cozinha com um bolo de chocolate fabricado nestas máquinas da moda, que cozinham tudo sozinhas e nos plantam basbaques na expectativa do resultado, depois de atirarmos lá para dentro os ingredientes recomendados no manual/livro de receitas.



A coisa sai aceitável. É… é bolo de chocolate. E saboroso. A máquina cozinha bem, mas marimba-se para as questões estéticas, esquecendo-se que a vista também come.

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E quanto + penso…

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