Semanada > H. Jackson Brown, Jr.
Eu cá...

... sou pelos contentores. Abomino as "vistas" e esses impulsos lamechas de dar às pessoas um pouco mais de qualidade de vida na cidade. Agradam-me os engarrafamentos, os estaleiros de obras, os buzinões, os tires e a poluição, as túneis mal calculados que fendem com a força das marés, o rio a abarrotar de navios em bicha de espera, agrada-me este poder do privado amigo em relação a um Estado porreirão. Agrada-me contribuir para a grande obscuridade, em que num jantar se decidem concursos, concessões e adjudicações, esta maneira estruturalmente desonesta de resolver as coisas à volta de um
Filet mignon e uns copos de tinto de reserva.
Agrada-me, pois, viver em Lisboa.
Cada vez mais.
Por isso é que habito em Oeiras.
Porém, creio que seria recomendável não desleixar o jogo que corre por detrás de tudo o que se vê. É que um destes dias o povo topa e ainda temos escândalo, salpicos e uns arguidos para animar manchetes.
Seja, pois... bardamerda.
Nem uma parede de contentores para os amigos sabem fazer como deve de ser! Actualizem-se.
Etiquetas: Câmara de Lisboa, Terminal contentores, Zona Ribeirinha
Do operariado e das urbanidades?

Apesar de deixar transparecer uma dose de acrimónia, não deixa de ser um bom texto, o do
Tomás, com o título "
Porto de Lisboa. Nostalgia. Obreirismo", no
Conquilhas, que "
com 18 anos, de fato-macaco, palmilhava a zona, à hora de almoço, à procura da refeição mais barata".
Haveria muito que dizer sobre as exigências das cidades de hoje, incrivelmente diferentes na escala de há 40 anos. Cresceram. Expandiram-se. Surgiram novos vícios e outras realidades. Instalaram-se novas actividades que imprimiram novas dinâmicas quotidianas. Outras fainas tornaram-se contraproducentes nas zonas nobres da malha urbana. Por isso, as opções políticas deviam ser mais ponderadas, mais fundamentadas, enfim, mais prospectivas. Os impactos e as vistas hoje fazem parte de um mosaico de parâmetros de qualidade na vida da cidade. E no caso falamos de uma gigantesca estrutura plantada praticamente a meio da margem ribeirinha.
Todavia, há desabafos nostálgicos que são claramente saudáveis, mesmo que se reportem a tempos difíceis no fio da vida, que nos ajudam a compreender a realidade de hoje, para a resolvermos melhor.
E os sacos eram alombados por homens de trabalho. O porto – o Porto de Lisboa – como diziam as placas em letras negras em fundo branco, era (e é, ainda) o modo de vida de milhares de pessoas. Era um tempo em que eu, com 18 anos, de fato-macaco, palmilhava a zona, à hora de almoço, à procura da refeição mais barata. E por lá nunca encontrei as outras «pessoas», aquelas que , hoje, não querem que os contentores lhes ofusquem as vistas.
Excerto de nota de Tomás Vasques, no blogue Hoje há Conquilhas
Hoje há Conquilhas
Etiquetas: Câmara de Lisboa, Terminal contentores
Estiva e tráfico de influências?
It is better to be silent, and be thought a fool, than to speak and remove all doubt.
Silvan Engel
Sempre ouvi os amigos poderosos dizerem que “o Porto de Lisboa é um País dentro do País“. Trengo, vou entendendo por pedaços o alcance da afirmativa. E, lento, também vou confirmando a extensão do tráfico de influências nesta malha das grandes negociatas.

Exagerámos, uma vez mais, nas nossas expectativas em relação à oportunidade de qualificar a zona ribeirinha. Mas a ter em conta esta primeira iniciativa, que até contempla túneis e tudo o que, desde sempre, vem na ementa - bastará escolher -, podemos deduzir o que se está a aprontar na penumbra dos gabinetes, por entre gargalhadas sarcásticas. E mais apreensivos devemos ficar depois de Miguel Júdice nos ter asseverado (enfim, acreditemos) que com ele na Frente Tejo “não haveria nada para comprar, nada para vender, nada para especular…”. Ao que parece, lá se foi a vista do rio numa longa faixa ribeirinha com interesse para o negócio político. Tal com
anota o Luís da Barbearia, "
...sei lá, aproveitar o espaço livre do Parque Eduardo VII para construir uma central térmica e outra nuclear.Privávamo-nos dos passarinhos mas ganhávamos um fartote de energia."
No fundo, para quê insistir na ingenuidade. Já devíamos saber o que é que a casa gasta. Eu, por mim, creia que me é indiferente olhar para contentores empilhados ou para os barquinhos à vela no rio. Habituei-me a não ser exigente. E como já me resignei a ser trapaceado, certamente que me agradará estar imobilizado nos engarrafamentos provocados pelas centenas de camiões com contentores que tem de entrar e sair da cidade com a carga que não pode estar mais de dois dias no terminal.
Porém, cidadão suavizado como eu, parece-me um gesto sem qualquer efeito prático assinar a petição que corre por aí, apesar de ser uma iniciativa meritória.
Barbearia do Senhor Luís
Etiquetas: Câmara de Lisboa, Obras Públicas, Zona Ribeirinha
Mais sapos para engolirem
Não sei se será caso para dizer “Viva a República”, mas a verdade é que em 5 de Outubro de 2008 está a ser noticiada a caução da presidente do PSD quanto à pretensão de Santana Lopes ser o cabeça de lista nas próximas eleições para a Câmara Municipal de Lisboa.
A Notícia é do DN, no Sapo online.Estou com curiosidade sobre o que Pacheco Pereira dirá no próximo programa da Quadratura do Círculo, ainda com a boca cheia do sapo Santana Lopes.
Etiquetas: Câmara de Lisboa, Santana Lopes
Habitação? Plano? Ops!
Helena Roseta vai ser a responsável pela elaboração do Plano de Habitação para Lisboa? Não vale a pena fazer qualquer comentário. Manuela Júdice ficará encarregue dos "assuntos multiculturais"? Enfim, a política também se faz assim e não há que estranhar. Este ajuste com António Costa leva-me a crer que o almoço de Manuel Alegre com José Sócrates já está a dar resultados.
Entre os mais de 4.600 prédios agora identificados como devolutos pelos serviços municipais, 322 são propriedade da Câmara, que assim se constitui no contra-exemplo daquilo que diz defender. A permanência de tantos prédios vazios, quando tanta gente precisa de casa, é um escândalo moral e social com o qual não nos podemos conformar.
No site dos Cidadãos por Lisboa
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PlanoTrabalho o poema sobre uma hipótese: o amorque se despeja no copo da vida, até meio, como seo pudéssemos beber de um trago. No fundo,como o vinho turvo, deixa um gosto amargo naboca. Pergunto onde está a transparência dovidro, a pureza do líquido inicial, a energiade quem procura esvaziar a garrafa; e a respostasão estes cacos que nos cortam as mãos, a mesada alma suja de restos, palavras espalhadasnum cansaço de sentidos. Volto, então, à primeirahipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,esperando que o tempo encha o copo até cima,para que o possa erguer à luz do teu corpoe veja, através dele, o teu rosto inteiro.Nuno Júdice
Site dos Cidadãos por Lisboa
Etiquetas: Câmara de Lisboa
Cooperação estratégica
Estávamos contentes. Não pela nova posição do Dr. Júdice enquanto distribuidor oficial das terras, especulações e concessões ribeirinhas, assim uma espécie de enzima de parcerias, ainda por cima com um escritório que deve representar, no mínimo, metade das gentes com dinheiro e crédito bancário no país, fundos estrangeiros, carteiras de títulos e etc.
Estávamos contentes mais pela hipótese de se conseguir finalmente revitalizar a orla ribeirinha - ou Zona Ribeirinha -, expectantes formiguinhas, como é óbvio, quanto a novas propostas urbanísticas, de ordenamento, paisagísticas, arquitectónicas, turísticas, comerciais, desportivas… e até mesmo de engenharias financeiras, uns powerpoints em English, suficientemente sedutores para atrair fundos e investidores estrangeiros, já que os nacionais só compram dinheiro para investir quando o Estado mete a cabeça no cepo ou quando têm fieis representantes em lugares de decisão política distintos obedientes quanto aos espaços em que devem depositar as assinaturas, vulgo minhocas.
Estávamos - e estamos - curiosos por ver como seriam apresentadas as fórmulas para ajuntar o limite de Lisboa ao limite da Oeiras, sendo que nos fabularam planos fascinantes, tais como, por exemplo, a “ilha da Cruz Quebrada” ou a recriação da zona oeste do Jamor, coisas que não estão desligadas da demolição do antigo hotel Estoril-Sol.
Entretanto, como é sabido, o Excelentíssimo Senhor Presidente da República devolveu ao Excelentíssimo Senhor Dr. Silva Pereira o diploma que permitia transferir para a Câmara Municipal de Lisboa a tão apetecível Zona Ribeirinha. Diz-se que, na verdade, foi veto. Mas há quem o rejeite. De resto, o mais indicado, por enquanto,
deitar uma vista de olhos na notícia do semanário O Sol, e ficar sentado, e ver qual será o resultado da badalada cooperação estratégica, sendo que Sócrates, pelas suas próprias palavras, declarou que esta devolução à Câmara era a rectificação de um erro estratégico que se arrasta há muitos anos.
Bom… então seria um aeroporto em Alcochete, uma terceira ponte entre Algés e Trafaria, a edificação e ordenamento da zona ribeirinha, três projectos que nos deixariam basbaques. E sócrates bem poderia fazer o número que Cavaco Silva na ainda zona pantanosa da Expo 98, afirmando peremptóriamente, apontado para o o rio, “Aqui vai aparecer a Ponte Vasco da Gama”. E lá está…
Sol > notícia sobre veto de Cavaco Silva
Etiquetas: Câmara de Lisboa, Zona Ribeirinha
Ó Evaristo, tens cá disto?…

A atribuição do primeiro lugar ao gabinete de arquitectura dos
irmãos Aires Mateus & Associados, no concurso de ideias para o
Parque Mayer, Jardim Botânico, Edifícios da Politécnica e Área Envolvente, é um bom indicador. O objecto das ideias visou a área que engloba os edifícios do Parque Mayer, do Jardim Botânico, da Antiga Escola Politécnica e Área Envolvente, delimitada pelas Ruas do Salitre, Nova de São Mamede, da Escola Politécnica, Praça do Príncipe Real, Calçada da Patriarcal, Rua da Alegria, Praça da Alegria e Travessa do Salitre em Lisboa, com uma
dimensão aproximada de 14,6 ha.
Ingénuo, lendo as notícias, quero acreditar que tudo parece indicar uma discussão a entrar no caminho correcto, em que a especulação imobiliária perdeu importância, afastada das decisões em causas próprias, inclusive a da ganância que tinha aumentado a área construída e a do casino. Do júri, consegue-se saber pelas notícias que foi presidido pelo arquitecto Nuno Portas e composto por representantes da Assembleia Municipal, da Ordem dos Arquitectos, da Associação dos Arquitectos Paisagistas, elementos da Câmara Municipal, por Raul Solnado e Carrilho da Graça. Por parte da Aires Mateus encontramos consultores simpáticos como os de Carlos Martins, Pedro Moreira, na música, Ricardo Pais, no teatro, Delfim Sardo, nas artes plásticas, e João Nunes , paisagista.
Mas como não há bela sem senão, ou muito me engano ou a construtora será a Mota/Engil. A ver vamos.
Câmara Municipal de Lisboa >Planeamento Urbano
Etiquetas: Câmara de Lisboa, Parque Mayer
António Costa… até ver

Raramente insiro neste blog fotografias de figuras públicas. Abrindo uma excepção, aqui fica a do
Costa - e de
Raul Solnado, pessoa tão estimada - que, até ver, continua a merecer que lhe tirem o chapéu.
Mário Lino e Sócrates, no caso das zonas ribeirinhas, merecem também o aplauso. Agora, espero, não se ponham para aí, à pressa, a engendrar modernices e torres arquitectadas com fita gomada, tipo patchwork de projectos, praticando as mixórdias do costume. Recorde-se que há bons projectos antigos, designadamente dos holandeses, e alguns, de qualidade reconhecida, concebidos por portugueses. Rio é Rio… E a zona ribeirinha é, por assim dizer, capital a prazo. Que não seja desbaratado com foleirices. Haja esperança, caro arquitecto Manuel Salgado.
António Costa explicou que as áreas portuárias que agora passam para a gestão da autarquia não podem ser de “especulação imobiliária, devendo ter uma boa vocação turística, ser um espaço de lazer. Queremos uma frente ribeirinha diversificada que ajude ao desenvolvimento sustentado e integrado da cidade de Lisboa”.
António costa, in site da Câmara Municipal de Lisboa
Link Câmara Municipal de Lisboa
Link Plano Director Municipal
Etiquetas: Câmara de Lisboa
Lisboa: um link e uma pergunta
Um link para
António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,
no Correio da Manhã.
Link Correio da ManhãUma pergunta pertinente: ninguém vai preso?
Etiquetas: Câmara de Lisboa
Prevaricadores…
Acusados de "
prevaricação" ? Que giro, quem diria... semântica.
Etiquetas: Câmara de Lisboa
Serão acusados de roubalheira ou intrujice?

Depois do discurso sentencioso de sua Excelência o Presidente da nossa desconcertada República, seria de grande utilidade psicológica, para elevar a moral dos guerrilheiros da raia miúda, que no processo do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa alguém fosse de grelha, não apenas por questões de justiça elementar, mas também como medida punitiva higiénica exemplar. Como diria o Digníssimo Presidente da República, “
Os Portugueses merecem”. Direi que os Lisboetas também.
Tiro o chapéu a António Costa, assim como a Carmona Rodrigues, que pediu a sindicância. E aplaudo o Zé, que tendo denunciado os intrujas e as intrujices, agora calado, nota-se a falta que faz. Volta Zé que provavelmente estás perdoado…
Link Semanário Sol 
Etiquetas: Câmara de Lisboa
Hã…? No Comments

Acusados?
A ver, mais logo, na Sic Notícias. Inocentes até se que se prove o contrário…?
Acordem!Quatro meses depois do arquivamento pelo Juiz de Instrução Criminal, o Tribunal da Relação decidiu o contrário e Fontão de Carvalho vai mesmo ser julgado.
Foi o ex-vereador e ex-vice-presidente da Câmara (no mandato PSD, de Carmona Rodrigues) que assinou o despacho que permitiu aos gestores da EPUL - Empresa Pública de Urbanização de Lisboa -, atribuirem a si próprios, e receberem, prémios no montante total de 74.900 euros.
Juntamente com Fontão de Carvalho, vão ser julgados Eduarda Napoleão, ex-vereadora do Urbanismo da Câmara de Lisboa e outros três admnistradores da EPUL: Arnaldo João, Aníbal Cabeça e Luísa Amado.
Cada um incorre numa pena de três a oito anos de prisão e numa pena de multa. Um assunto a desenvolver ao longo do dia na SIC Notícias e no Jornal da Noite da SIC
Sic online
Sic online 
Etiquetas: Câmara de Lisboa, Epul
Costa eleva a taxa
É que nem sequer vale a pena fazer comentários. Fica o
link para a notícia, que presumo terá algum fundamento. É caso para trautear o refrão da marcha Lá vai Lisboa, cantado por Amália Rodrigues:
Lá vai Lisboa com a saia cor de marCada bairro é um noivo que com ela vai casar!Lá vai Lisboa com seu arquinho e balão,Com cantiguinhas na boca e amor no coração!Enfim… soluções fáceis e óbvias.
Diário Económico
Etiquetas: António Costa, Câmara de Lisboa
2 milhões de pobres…

A vereadora Marina Ferreira, durante a presidência de Carmona Rodrigues, instaurou um inquérito que agora resultou em dois despachos de António Costa, de suspensão de funções de funcionários responsáveis da Câmara Municipal de Lisboa - o director do Departamento de Higiene e Segurança do Trabalho, Almeida Marques, e o chefe de divisão, Carlos Remédio Pires -, “por suspeita de envolvimento em práticas ilegais no funcionamento dos 15 refeitórios municipais”. No blog
PS Lumiar a coisa está bem sintetizada, o qual reproduz a
notícia do DN com o título
Má gestão dos refeitórios da CML leva a demissões.
Como o PR Cavaco Silva declara, a pobreza em Portugal é uma vergonha. A pobreza e muitas outras coisa que nos envergonham.
Blog PS Lumiar
DN online
Etiquetas: Câmara de Lisboa, Gatunagem
O borboletar das borboletas

O Tomás, atarefado como pivot de um enormíssimo investimento, certamente assoberbado de trabalho no seu escritório privado, pulando por coisas de grande monta, introspectivíssimo, creio, tentando estruturar ideias determinantes para o futuro da cidade capital, articulando argumentos para trazer à evidência as vantagens económicas da Portela barra Figo Maduro, elaborando, paulatinamente, o seu próximo livro, ainda tem tempo para nos fazer rir, a nós formiguinhas singelas, com excertos de adaptações do
excelente livro de Trinh Xuan Thuan, autor de
O Caos e a Harmonia,
a fabricação do real, uma publicação revolvida nesta coisa quântica, presenteando-nos com uma nota que nos obriga a pedalar, lendo-a em primeiro abordo no
Conquilhas, que nos remete para
Raimundo Narciso, em Água Lisa 6, o qual nos atira para a origem no blog
Abrir Lisboa, de apoio a António Costa, um post com um título convincente, “
Lisboa deve ser pensada… eu diria mais, repensada!”, com rigor, com o Zé e a sério, da autoria de
Ulisses Neves Pinto, que nos instiga a puxar pelos miolos usando todas as variáveis que as nossas limitações permitam. Como diria o outro, desemaranhar o novela da Ordem no Caos que se instalou.
As três notas nos três blogs que referi foram produzidas antes da coisa esclarecedora acontecer, dita de debate dos candidatos, no Museu da Electricidade. Anseio, claro, pelas próximas notas depois do apagão de ideias e da florescência pirilampica de clichés que se repetiram no sítio da electricidade, no qual, por rudimentar simbolismo, deveria ter sido feita luz. Não vale a pena arranjar grandes substratos justificativos:
Costa, cada vez mais, apenas porque sim!
Blog Hoje há conquilhas…
Blog Água Lisa
Blog Contra-capaEtiquetas: Câmara de Lisboa
Os custos das barracas

Olhando esta foto, que mantenho guardada nos meus computadores, assim como um fio atado na ponta do dedo, pergunto-me do que será feito desta miúda que fotografei em 1971. Do lado de cá da vedação, a
Escola António Arroio, novinha em folha, acabada de inaugurar em 1970, a seguir à Fonte Luminosa. Do lado de lá as barracas e a miséria na zona da Picheleira. Questiono-me, pois, se esta rapariga terá conseguido chegar ao patamar das oportunidades iguais - na altura da "sociedade sem classes" -, se entenderá em concreto o que são os direitos, liberdades e garantias, que profissão terá, se viverá em Chelas, na Zona Jota ou, bem instalada, num condomínio privado, e se os filhos recolhem deste regime e deste sistema todas as condições para terem uma vida melhor. Enfim… dúvidas sentado no chão húmido do pântano.
Site da Escola António ArroioEtiquetas: Barracas. António Arroio, Câmara de Lisboa
"Habituados a perder…"
Em tempos, no atelier de uma amiga, numa conversa sobre o cenário mais provável das eleições que levaram
Santana Lopes e Pedro Pinto ao poder da Câmara de Lisboa,
Ruben de Carvalho, referindo-se ao
PCP, disse que estavam habituados a perder, por isso não ficariam abalados com o resultado, caso João Soares saísse de cena. Dito e feito… O João ficou zangado com o povo de Lisboa e a vida das coisas (políticas) continuou.
Leio agora com agrado a entrevista de
Ruben de Carvalho, publicada no
Correio da Manhã e da responsabilidade de
António Ribeiro Ferreira. Registo uns excertos. O resto está no CM. A parte sobre a permuta da
Feira Popular/Parque Mayer é esclarecedora quando Ruben afirma que passou com o voto do BE a favor... Pois. Mistérios de Lisboa.

A coligação PS/CDU não deixou a Câmara numa difícil situação financeira?
Isso é completamente mentira. É uma mistificação. É preciso recordar às pessoas que há três planos que precisam de ser distinguidos: o económico, o financeiro e o de tesouraria. O que se passa na Câmara é que a situação de tesouraria é muito má, a financeira é má e a económica é perfeitamente razoável para não dizer boa. Isto é, o activo é largamente superior ao passivo. É preciso que os lisboetas tenham a noção disto: a sua câmara não está falida.
-
E com o Porto de Lisboa? Há algum diálogo?
Não há. Não há. O Porto de Lisboa é uma companhia majestática que governa metade da cidade e que não dá cavaco rigorosamente a ninguém. Há tempos os vereadores leram no jornal que a Administração do Porto de Lisboa se está a preparar para fazer uma urbanização nos antigos terrenos da Docapesca que poderá dar origem a quatro mil fogos. Mas o que é isto?
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Há muita coisa aprovada?
Matinha, Alcântara, Marvila ainda se parou a tempo, o Vale de Santo António e outras coisas. Até porque o doutor Santana Lopes fez da EPUL uma espécie de braço armado para operações imobiliárias. Veja os negócios com o Sporting e o Benfica, por exemplo. A primeira coisa é tentar suspender e averiguar o que se passou. Até porque temos de acabar com a prática de pôr cimento em todo o buraco de Lisboa.
In Correio da Manhã
Site Correio da Manhã > EntrevistaEtiquetas: Câmara de Lisboa, Ruben Carvalho
Afinal, pedalar para quê?

Não foi a proposta tão original - com cerca de doze anos - de realizar casamentos civis no Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa que me levou a reforçar a minha
simpatia pela candidatura de António Costa, nem tão pouco a
mais-valia eleitoral dos matrimónios gay, mas antes esta inovação milagrosa que encontrei na net, que nos permite pedalar politicamente correctos, rigorosos nas subidas das sete colinas, com este modelo cicloturístico de valor acrescentado, apetrechado com um pequeno e útil motor eléctrico - também politicamente correcto -, que nos evita a canseira de dar ao pedal para armar ao civilizado numa cidade atlântica manifestamente acidentada.

E por falar em cicloturismo, talvez fosse vantajoso darem uma espreitadela ao
Programa da equipa do candidato, não vá acontecer, por qualquer motivo transcendental, que a coisa até seja consumada com rigor. Conhecendo o
Programa, saberemos, portanto, em que momentos nos calha a deixa do aplauso, e daqui a dois anos saber também se deve haver voto bisado “
nesta festa da democracia”, como diria o PM.
Um à parte (não, não é o a(o)parte da Cultura!): a chave desta equipa é o Dr. Cardoso da Silva, não é?
Sintese do Programa Eleitoral de António Costa (pdf)Etiquetas: António Costa, Câmara de Lisboa
A insustentável leveza dos traquejos
Na perspectiva de alguma gente responsável os “
problemas de tesouraria” devem ser encarados com agilidade, visto serem coisitas de somenos importância, normalíssimas, ao contrário do comum dos mortais que encaram como uma questão grave o facto de não haver dinheiro em caixa. Caso mais sério quando ampliado por acumulação de quase mil milhões de dívida, problemática resolvida com o expediente do lençol curto, já que “não se podendo endividar mais à banca, endivida-se junto dos fornecedores” - como se a edilidade fosse um caso de desenrasque tipicamente português de empresário de vão de escada entupido no crédito e a meio caminho de lhe fazerem uma espera ou de ter uma curta conversa com o “
cobrador de fraque“. Ficamos, pois, absolutamente esclarecidos quanto aos métodos usados durante… uns 12 anos de cumprimento de serviço público. Muito, mas mesmo muito, pedagógico - e depois admiramo-nos do estado desta coisa desgraçada passados trinta e poucos anos…
Por isso, acho útil reproduzir aqui um excerto de uma nota, já com uns dias, que é também
um desabafo que registei do Luís Tito, do Tugir. Se as pessoas - na qualidade multíplice de cidadãos, eleitores, consumidores, contribuintes - por milagre recuperassem as faculdades de raciocínio, talvez estas ligeirezas dos seres convencidos que são poderosos fossem corrigidas, para bem de todos - ou, se quiserem, para o Bem da Nação. A nota do Luís reproduz relativamente bem a teia em que as pessoas estão aprisionadas.
Haverias, meu caro, de ter de pagar a tua casa, os estudos dos teus filhos, a alimentação da tua família, os transportes do agregado e acrescentar a tudo isso as duplas tributações que chegam com os IMIS, as contas da electricidade, as contas da água, as taxas de saneamento e por aí fora, já não serias tão célere na adjectivação das preocupações dos teus pares.
Fosse o teu esforço e trabalho abocanhado todos os meses para pagares milhões de euros de estudos dos parques Mayeres deste burgo que agora vão para o lixo, milhares de euros gastos nas Empresas Municipais e nos gabinetes dos vereadores com gente que nem sequer lá põe os pés, outros milhares com viaturas de alta cilindrada e obras de fachada, logo verias o que é demagogia e populismo.
Blog TugirEtiquetas: Câmara de Lisboa, Tugir LNT