Semanada > H. Jackson Brown, Jr.
Grandes causas… pois

Hoje, lendo no
Correio da Manhã uma notícia sobre os contentores de
Alcântara, a Liscount e a abertura dum inquérito sobre o negócio, resultante da auditoria do
Tribunal de Contas, achei que não ficariam mal aqui duas breves frases do Exmo. Sr. Dr.
Jorge Coelho, proferidas na circunstância da sua renúncia ao cargo de deputado em Outubro de 2006, por “razões pessoais”, presumindo-se que terá sido uma decisão derivada da doença grave. Como entre as causas anunciadas e a prática actual vai uma distância que separa continentes, ficam os sublinhados.
Todos devem contribuir para uma sociedade onde a justiça social e a solidariedade sejam fundamentais. Os políticos, designadamente os deputados, devem trabalhar nesse sentido. Isso motivou-me quando era muito jovem e motiva-me hoje.
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Continuarei a trabalhar no PS. Não é preciso ser ministro ou deputado para fazer política em Portugal. Estou na vida política e cívica, faço várias coisas em termos de combate político
Correio da Manhã, 31 de Outubro de 2006
Público > Jorge Coelho abandona Parlamento
Correio da Manhã > Negócio de Lino sob investigação
Etiquetas: Governo, Jorge Coelho, Terminal contentores
Eu cá...

... sou pelos contentores. Abomino as "vistas" e esses impulsos lamechas de dar às pessoas um pouco mais de qualidade de vida na cidade. Agradam-me os engarrafamentos, os estaleiros de obras, os buzinões, os tires e a poluição, as túneis mal calculados que fendem com a força das marés, o rio a abarrotar de navios em bicha de espera, agrada-me este poder do privado amigo em relação a um Estado porreirão. Agrada-me contribuir para a grande obscuridade, em que num jantar se decidem concursos, concessões e adjudicações, esta maneira estruturalmente desonesta de resolver as coisas à volta de um
Filet mignon e uns copos de tinto de reserva.
Agrada-me, pois, viver em Lisboa.
Cada vez mais.
Por isso é que habito em Oeiras.
Porém, creio que seria recomendável não desleixar o jogo que corre por detrás de tudo o que se vê. É que um destes dias o povo topa e ainda temos escândalo, salpicos e uns arguidos para animar manchetes.
Seja, pois... bardamerda.
Nem uma parede de contentores para os amigos sabem fazer como deve de ser! Actualizem-se.
Etiquetas: Câmara de Lisboa, Terminal contentores, Zona Ribeirinha
Do operariado e das urbanidades?

Apesar de deixar transparecer uma dose de acrimónia, não deixa de ser um bom texto, o do
Tomás, com o título "
Porto de Lisboa. Nostalgia. Obreirismo", no
Conquilhas, que "
com 18 anos, de fato-macaco, palmilhava a zona, à hora de almoço, à procura da refeição mais barata".
Haveria muito que dizer sobre as exigências das cidades de hoje, incrivelmente diferentes na escala de há 40 anos. Cresceram. Expandiram-se. Surgiram novos vícios e outras realidades. Instalaram-se novas actividades que imprimiram novas dinâmicas quotidianas. Outras fainas tornaram-se contraproducentes nas zonas nobres da malha urbana. Por isso, as opções políticas deviam ser mais ponderadas, mais fundamentadas, enfim, mais prospectivas. Os impactos e as vistas hoje fazem parte de um mosaico de parâmetros de qualidade na vida da cidade. E no caso falamos de uma gigantesca estrutura plantada praticamente a meio da margem ribeirinha.
Todavia, há desabafos nostálgicos que são claramente saudáveis, mesmo que se reportem a tempos difíceis no fio da vida, que nos ajudam a compreender a realidade de hoje, para a resolvermos melhor.
E os sacos eram alombados por homens de trabalho. O porto – o Porto de Lisboa – como diziam as placas em letras negras em fundo branco, era (e é, ainda) o modo de vida de milhares de pessoas. Era um tempo em que eu, com 18 anos, de fato-macaco, palmilhava a zona, à hora de almoço, à procura da refeição mais barata. E por lá nunca encontrei as outras «pessoas», aquelas que , hoje, não querem que os contentores lhes ofusquem as vistas.
Excerto de nota de Tomás Vasques, no blogue Hoje há Conquilhas
Hoje há Conquilhas
Etiquetas: Câmara de Lisboa, Terminal contentores