Depois de ler os posts mais frescos do blogue de referência da situação, o Câmara Corporativa, impregnado de uma dose de graça fina e salpicado de boa musica, fiquei pronto para uma noite sossegada, sendo que tudo está bem quando o dia acaba bem, sobejando, porém, um remoer esquisito quanto ao contracorrente que verto para este meu modesto blogue, se não seria ideia mais benéfica comprar umas caixas de graxa e usá-las também aqui. Depois de me informar sobre o pulsar profundo da defesa da conjuntura, seguindo a sugestão do “Câmara”, ainda consegui ler três posts dum outro blogue da situação, A Linha, adjacente ao Clube da Linha, subsidiado, sem sombra de dúvida pelo Partido Socialista da marginal e zonas limítrofes, como sejam a Amadora e o Joaquim Raposo. Não lucrei com a leitura, mas ganhei mais um instrumento de medida do que se passa por aí, no PS. Noutro registo, entrei no sedutor Mátria Minha. A partir dos "seguidores" de Eugénia de Vasconcellos cheguei ao um blogue de cozinhados e bebidas, que não sendo sofisticado nas coisas de comer e beber, tem uma autora, lá na "parvónia-sur-Tejo", com uma cara simpática. Assim o blogue Molho de brócolos está já na coluna do lado, na rubrica "água na boca", para ir espreitando de vez em quando. Fica uma receitazinha, bem como o link. A receita é de "Brócolos salteados com nozes", com uma "fotografia" a não fazer jus ao sabor, certamente delicioso.
500g de raminhos de brócolos 1 Cebola grande em quartos 1 Pimento encarnado em cubos 2 Colheres de sopa de azeite 1 Chávena de metades de nozes 1/4 Chávena de caldo de galinha 1 Colher de sopa de molho de soja
Saltear as nozes no azeite numa wok até ficarem douradas. Reservar. No mesmo azeite, saltear os brócolos, a cebola e o pimento. Juntar o caldo de galinha e o molho de soja e cozinhar por 5 minutos, ou até os brócolos estarem tenros e o molho apurado. Juntar as nozes e servir. - Da imaginação dos "brócolos" e ainda com água na boca, não sei que raio de associação de pensamentos me levou a saltar para o "Conquilhas" (ao que dizem, um dos conspiradores da Praça das Flores), para ler mais um post inspirado, que me deixou tristonho, talvez porque a ingenuidade da maior parte dos eleitores/contribuintes ser uma verdade que todos evitamos referir quando há campanhas eleitorais.
Depreende-se que o Tomás Vasques esteve em Madrid a pretexto da ARCO. Ao que escreve, descobriu um padrão triste nesta crise social global - que é como quem diz: hoje há conquilhas, amanhã não sabemos“ -, em que o alerta se resume ao “cada um por si”. O post, mais uma vez um bom pequeno pedaço de texto, do qual reproduzo uma parte, sem pedir autorização ao autor, não encerra nenhuma nova verdade, mas vale a leitura.
Quanto ao mais, entre a Gran Via e a Plaza Jacinto Benavente, pelo menos por aí, está exposto o quadro de uma grande cidade em tempos de crise, desta crise: os sem-abrigo, a prostituição e outras mazelas da pobreza e do desemprego a conviverem paredes-meias com filas intermináveis à porta de bons restaurantes. Há nesta convivência uma verdade incontornável: quem tem emprego não tem razões de queixa. Não é uma realidade socialmente solidária, mas é verdade. Tomás Vasques, in Conquilhas
Creio que o Tomás, do Conquilhas, conseguiu sintetizar a dúvida mais persistente: se Obama mudará a América ou a América é que irá mudar Obama. Inclino-me mais para que o tempo Obama seja mesmo de Mudança. Para ter uma bitola e conseguir avaliar o trabalho, digamos, daqui a uns três anos, não resisti à tentação de comprar o livro de Barack Obama, "A audácia da Esperança", já na 3ª edição, editado em português em Outubro de 2007, que comecei a ler sem pressa. Do pouco que li, deixo um excerto:
Se alguma coisa me marcou, foi apenas quão modestas são as esperanças das pessoas e quão constante parece ser aquilo em que acreditam, independentemente de raças, regiões, religiões e classes sociais. A maior parte considerava que qualquer pessoa disposta a trabalhar deveria poder encontrar um emprego que lhe proporcionasse um salário suficiente para viver. Entendiam que ninguém deveria ver-se obrigado a declarar falência por causa de uma doença. Acreditavam que todas as crianças deveriam ter uma educação de qualidade – que não deveria ser só conversa oca – e poder ir para a universidade, mesmo sem pais ricos. Queriam segurança contra criminosos e terroristas, ar e água limpos, tempo para passar com os filhos. E, para a velhice, queriam ter a possibilidade de se reformarem com respeito e dignidade.
O TV, com talento, de quando em quando sai-se com posts engraçadíssimos, alguns com fino sarcasmo. Reproduzo na íntegra o post d’hoje (00h01), 11 de Setembro, com o título “Rapsódia“. Se quiserem bisar a leitura é seguir o link em rodapé.
Foi anunciado o fim do mundo porque um Grande Acelerador de Hadrões fez hoje uma experiência inédita, o que me deixou numa grande ralação. O fim do mundo não se anuncia por dá cá aquela palha. Enquanto isso se passava, Helena Roseta comprometia-se com António Costa para a salvação de Lisboa. Esperemos que tal acordo resulte, sem acusações de traição, antes que o mundo acabe. Ou seja, sou crente, mas não sou parvo. Pelo menos é o que diz o meu electrocardiograma em esforço. E por falar em hipertensão, um tresloucado entrou na esquadra da polícia de Portimão de pistola em punho e premiu o gatilho três vezes sobre um queixoso. O juiz que apreciou a «problemática» dispensou o atirador de prisão preventiva, como se apenas estivesse em causa uma violação da Lei do Tabaco. Ao que parece isto da prisão preventiva tem muito que lhe diga. E, por hoje, por aqui me fico, porque já referi a frase de Durão Barroso. Como insiste o meu amigo João Gonçalves, talvez seja o «regime» que se fina. Tomás Vasques, em Hoje há conquilhas
Reproduzo parte do destaque que Tomás Vasques faz do post “A Corja”, publicado no “Vale a pena lutar”, assinado por Pedro Namora. Não sei que diga… Mas… está bem: se o Tomás destaca, é porque o texto é importante.
O governo de Sócrates é uma excrescência, um aglomerado de trapaceiros políticos, uma mentira permanente, uma corja de cobardes de peito inchado contra os trabalhadores, mas subserviente e de cócoras ante o patronato. Não formam um governo, são um bando. Chusma miserável sempre pronta a rosnar contra os que produzem riqueza. O único propósito que têm é destruir o que resta do que Abril possibilitou. Agora é o direito a férias. Se os deixarem hão-de colocar-nos nas galés. Pedro Namora, em “Vale a pena lutar, com o título “A Corja“
Em relação a esta nota do Tomás Vasques, apenas um excerto para registar a questiúncula com motivos político/administrativos, bicéfalos, pirandeliana. Tudo ficará bem, quando (re)começar bem. Bom-senso, óbvio.
Director e personagens discutem e constroem uma querela sobre maneiras de fazer teatro. As personagens, tentando mostrar ao director que suas vidas são reais em relação ao palco, e ele defendendo a relatividade do que está sobre o palco, toma como paradigma a vida "real". A peça entra, assim, noutro plano: torna-se um estudo meta linguístico do teatro, a arte discutindo-se a si mesma. A forma de representação proposta pelo director não é aceite pelas personagens. Não querem ser representadas pelos actores da companhia. Afinal, como alguém poderia representar melhor a vida de uma personagem do que ela própria?
Agradecido pela inserção da pintura sobre o Wenceslau de Moraes (Moraes San), que, suponho, deve ter um certo significado para ilustrar o post com o título “Império do Meio”. Concordo plenamente com o facto da direita desmantelada prejudicar o reposicionamento do Partido Socialista ao centro esquerda, que, tão pragmático como se mexe, não hesitará em resvalar ainda mais para longe do Social. Vem a propósito, creio, o slogan do outdoor de António Guterres que, se bem recordo, dizia isto: “As pessoas não são números” - E agora poesia (que devia ainda estar por aí, na rua) que não é de Wenceslau de Moraes, mas de Camilo Pessanha, em Clepsidra
Eu vi a luz em um país perdido, A minha alma é lânguida e inerme. Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído! No chão sumir-se, como faz um verme… Hoje há conquilhas…
Há pessoas por quem temos um apreço político especial, sobretudo aquelas que arriscaram a pele antes do 25 de Abril, algumas que tendo sido absolutamente pobres, imensas vezes sofreram na carne e na mente a crueldade repressiva do antigo regime. As bandeiras que levantavam foram as que levaram a acreditar que o 25 de Abril e posterior “processo revolucionário” traria um futuro melhor para o povo português - não um futuro imediato, mas um tempo sustentado, inteligente, consistente, (utopias ) que nos colocaria num patamar civilizado, tanto no plano económico como cultural, sabendo que o mosaico de paradigmas da “outra senhora” apenas nos remetia para mais miséria, mais ignorância, mais isolamento. Não encaixará aqui a lista vasta de antifascistas e de gente que militou contra a ditadura. Seria fastidioso, mesmo sendo a minha própria lista, a que me dei ao trabalho de apontar os nomes, um quase exército, incluindo em grande parte gente anónima - provavelmente a mais constante - para não me perder nas obscuras linhas de tantos discurso de gente que se afirma progressista e de Esquerda. Contudo, julgo que teria uma grande utilidade desenhar o novo mapa da actual Esquerda, assim um Guia de Quem é quem na Esquerda, que causas defende, qual o enquadramento no mundo, etc., um guia que tivesse em conta os que, mesmo sendo figuras públicas, continuaram “pobres”, e dos que enriqueceram desmesuradamente com as sinuosidades obscuras dos laços e dos nós da vida do País após 1974 e respectivo sistema, para não referir o nosso peculiar regime democrático em que o “povo (pensa que) é quem mais ordena”, daqueles que, desiludidos - ou impotentes - passaram a servir-se das fragilidades que eles próprios, tantas vezes, provocaram ou foram cúmplices. Pacheco Pereira ajudará a entender os motivos e as circunstâncias no livro que anuncia contendo Estudos sobre a Extrema-Esquerda - apesar de me parecer muito mais interessante empreender sobre a Esquerda no seu todo e o que a identifica hoje, para a ajudar a desfazer confusões e clarificar posições individuais que progrediram para outras causas, que não as da Esquerda, continuando, porém, a fazer finca-pé quanto ao seu lugar cativo num universo que já não é o deles. Enfim… um mapa desenhado a partir do momento, por exemplo, para ter um ponto de partida, em que à porta do Hotel Vitória começaram a estacionar viaturas topo de gama, substituindo os velhos chaços populares. Bom… esta conversa vem a propósito da leitura de dois posts do Conquilhas (1 e 2). Têm a ver com o essencial daquilo que a extrema-esquerda e a esquerda democrática defendiam: a Liberdade e a Democracia. Mais, para detalhar: Direitos, Liberdades e Garantias. E é triste, acreditem, ver hoje, passados trinta e poucos anos, anotado por alguém que foi da extrema-esquerda e, creio, sofreu na pele a repressão do antigo regime, duas questões cruciais, que nem sequer deveriam ser postas em causa agora. São, confiem, dois sublinhados a ter em conta. É que o Tomás, calado, sabe muito, mas mesmo muito. E quando ele engraxa a situação, a ordem é para engraxar também. E se ele nos diz para enaltecer o valor do défice, também deveria sublinhar o valor do buraco, os tais 6% que não foram exclusivamente obra dos opositores à direita, e dos quais, convenhamos, grande parte pertence, por direito próprio, ao actual Excelentíssimo Presidente da República. Portanto, caro, deixemos a graxa para quem se auto-engraxa muito bem. E entre um processo e outro, entre um negócio e outro, vê lá é se escreves um livrinho, pelos menos tão bom como o primeiro.
Por indicação do Tomás Vasques espreitei um novo LerBlog, a Revista Ler na blogosfera. Temos de reconhecer que o Tomás, de quando em quando, anota coisas úteis.
Depois de ler o Água Lisa, provavelmente o melhor blog político (http://agualisa6.blogs.sapo.pt/), o Anarca constipado (http://kropotkine.blogspot.com/), aquele que mais me faz rir, a Barbearia do senhor Luís (http://barbearialnt.blogspot.com/), a quem gosto de dar umas alfinetadas, o Câmara Corporativa (http://corporacoes.blogspot.com/), que convém ter em conta, o Claro (http://www.claro.motime.com/), a quem vou telefonar para marcar um jantar, o Contra Capa (http://riquita1303.blogspot.com/), sobretudo a Cristina, que não conheço pessoalmente, infelizmente, o Corta Fitas (http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/), um colectivo tutti-frutti engraçadissimo, o Hoje há conquilhas…(http://hojehaconquilhas.blogspot.com/), que usa e abusa da fita gomada, o Da Literatura (http://daliteratura.blogspot.com/), que se lê com imenso gosto, o Portugal dos Pequeninos (http://portugaldospequeninos.blogspot.com/), oazedume que nos diverte, o Sinico Macau (http://sinico.blogspot.com/), para ter notícias do oriente, o Tempo que passa (http://www.tempoquepassa.blogspot.com/), que não vela a pena qualificar, o 31 da Armada (http://31daarmada.blogs.sapo.pt/1444477.html/), igualmente uma salada de frutas ora engraçada ora grave, o Anónimo (http://oanonimoanonimo.blogs.sapo.pt/), com uma capcidade de síntese invulgar, pulando e espreitando também por outros blogues, dei comigo a pensar que um reputado bloguer (tomasvasques@gmail.com) tem razão quando usa a expressão do poeta “trabalhar cansa” - tal como cansa fazer natação, beber umas imperiais e trincar uns tremoços, cansa ler um monte de jornais e revistas todos os dias, fumar um ou dois maços de cigarros de empreitada, estar duas ou três horas na palheta, cansa redigir uns quantos posts e debitar uma mão cheia de desenhos, aturar palermas, atender dezenas de telefonemas, engendrar esquemas para levantar poeira ou ouvir quatro e cinco vezes nos telejornais o Excelentíssimo Senhor Primeiro Ministro num discurso cada vez mais enrolado, enfim… é uma canseira não conseguir evitar este ambiente conjuntural em que estamos mergulhados, que nos sufoca e estafa. E se há uns anos atrás, no tempo das enérgicas Comissões de Trabalhadores, a fixação era o descanso e o aumento do tempo livre - e ninguém se queixou desse objectivo político/sindical - hoje parece haver a paranóia em encontrar coisas que cansam fazer, com se ao andarmos a mil à hora fosse um princípio equilibrado e uma maneira de mostrarmos que estamos com o espírito da situação aqui, esquecendo as catástrofes da natureza, tal como a crise que alastra nas bolsas e o dinheiro que eles compram, cada vez mais caro, para nos venderem, cada vez mais caro.
Pois, caro apreciado bloguer - sim, é contigo, tomasvasques@gmail.com -, é bom não perder a noção do essencial e do acessório, sendo que o que cansa, por regra, não é saudável. Ou, se quisermos ser mais decisivos, podemos afirmar que o que cansa normalmente é coisa estúpida. Excepto, está claro, quando se corre por prazer - que permitam-me, é o caso deste meu Vida das Coisas.
Como é que o Conquilhas consegue ter o número exorbitante de 133 espreitadores, mantendo, nos últimos tempos, durante três dias notas que se resumem a frases tão determinantes e profundas como a que se anexa? Os espreitadores devem ser adeptos do Sporting… ou tipos que caiem no logro, totós como eu, que vão à procura de substância intelectual ou de pinturas com gajas nuas, subitamente arredadas da linha editorial do blog.
Boa Páscoa ó TV. E Diego Rodriguez de Silva Velasquez, pois claro. Um tirinho de popó… para quem pode.
Las Meninas (Maids of Honor). 1656-57. Museo del Prado. Madrid
"Ontem quando cheguei a casa tirei uns quantos profiteroles que ainda tinha no congelador, vai daí, como não tinha nem queijo nem espinafres, fiz um molho branco espesso com farinha, leite e uma noz de manteiga, temperei com sal, pimenta e noz moscada, à parte fiz um refogado com cebola, alho e azeite, juntei uma lata de atum desfeito, umas azeitonas verdes picadas e um molho de coentros picados. Misturei o atum com o molho branco e recheei os profiteroles.
Podem ser servidos como entrada ou acompanhados por uma salada para um jantar leve."
Relatos Verídicos Experiências de Quase-Morte Manuel Domingos,
Patrícia Costa Dias,
Paulo Alexandre
O nosso cérebro, é, na realidade, uma máquina fabulosa que consegue efectuar qualquer coisa como alguns muitos milhões de operações por segundo (…). Mas não tenhamos ilusões, (…) a essência do nosso ser não é apenas algo produzido por umas moléculas, por uns átomos.
Manuel Domingos
Presidente da Sociedade Portuguesa de Neuropsicologia
Le point de départ de ce livre est, en janvier dernier, une conversation de Bernard-Henri Lévy avec Nicolas Sarkozy.
De quoi le progressisme contemporain est-il malade et quels sont les symptômes,
les figures, les causes, de cette maladie ? C'est la seconde question qu’il soulève, plus complexe, et qui le conduit à des développements
sur, pêle-mêle, l’anti-américanisme, les mythes de l'empire, la question de l'Islam, le retour de l'antidreyfusisme,
les illusions de l'anti-libéralisme ou le parfum munichois qui rôde autour de nombre de discussions sur la guerre et sur la paix.