O gozo geral da mentira
Qualquer estúpido pode dizer a verdade, é preciso ser-se inteligente para saber contar uma boa mentira
Samuel Buttler
Etiquetas: Mentira
Qualquer estúpido pode dizer a verdade, é preciso ser-se inteligente para saber contar uma boa mentira
Samuel Buttler
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Mentir pode ser um exercício de inteligência em que a realidade é reinventada. Essas alterações transportam consigo outras, numa reacção em cadeia, até perturbarem toda a paisagem. Não é fácil, pode ser perigoso. Quando comecei a mentir deixei de poder parar de mentir, uma mentira erguendo-se sobre outra. Sei que me é impossível voltar atrás, recomeçar tudo de novo. Mesmo que o quisesse - e não quero, seria demasiado doloroso e inútil - não me é agora possível destrinçar o que aconteceu do que podia ter acontecido, o que vi do que quis ver mais do que tudo, o que disse com o objectivo consciente de seduzir, aumentar o meu poder defendendo-me do mundo, do que disse com o coração na boca, a tremer, como se tivesse pouco tempo de vida. A minha vida nada tem a ver com o que escrevo.
Pedro Paixão in Cala a minha boca com a tua
Etiquetas: Mentira, Pedro Paixão
A democracia vive hoje da mentira. Sob todas as suas formas: ocultação, contradição, correcção, circunstância superveniente ou melhor ponderação. A política tem regras parecidas com as que vigoram no futebol, nalguns negócios e na guerra: o único critério importante é ganhar. Só são condenados os que mentem e perdem. Os que mentem e ganham são respeitados.
(...)
Será possível contrariar esta nefasta tendência para a mentira? É difícil. Não há esperança nos deputados. Como estes se tratam sempre, uns aos outros, de mentirosos, já ninguém acredita. Se a nossa imprensa, escrita, falada ou televisiva, estivesse à altura, talvez a sucessão de mentiras não fosse tão rica. Mas também parece que, com frequência crescente, a imprensa gosta deste novo hábito. Que usa com volúpia. Ou perdoa com malícia.
Blog Sorumbático