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When you lose, don't lose the lesson

quinta-feira, julho 24, 2008

O gozo geral da mentira

Qualquer estúpido pode dizer a verdade, é preciso ser-se inteligente para saber contar uma boa mentira
Samuel Buttler

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O gozo individual da mentira


Mentir pode ser um exercício de inteligência em que a realidade é reinventada. Essas alterações transportam consigo outras, numa reacção em cadeia, até perturbarem toda a paisagem. Não é fácil, pode ser perigoso. Quando comecei a mentir deixei de poder parar de mentir, uma mentira erguendo-se sobre outra. Sei que me é impossível voltar atrás, recomeçar tudo de novo. Mesmo que o quisesse - e não quero, seria demasiado doloroso e inútil - não me é agora possível destrinçar o que aconteceu do que podia ter acontecido, o que vi do que quis ver mais do que tudo, o que disse com o objectivo consciente de seduzir, aumentar o meu poder defendendo-me do mundo, do que disse com o coração na boca, a tremer, como se tivesse pouco tempo de vida. A minha vida nada tem a ver com o que escrevo.
Pedro Paixão in Cala a minha boca com a tua

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segunda-feira, outubro 29, 2007

Mentir é um estado de espírito ?…

Ou será um estado d’alma? Ou um sinal de qualificação?
O meu primeiro blog, o 2B, tinha por legenda “ Se tudo o que há é mentira/É mentira tudo o que há/A nada, nada se tira/ A nada, nada se dá. De Fernando Pessoa. Hoje, ao ler no Sorumbático o artigo da António Barreto, publicado no Público de ontem, saltou-me na mente a antiga sentença e, por isso, achei que seria útil recomendar a leitura do texto com o título “Da mentira como virtude política”. Leiam, simpáticos e escassos visitantes. É o mesmo que olhar o espelho. Excelente.
A democracia vive hoje da mentira. Sob todas as suas formas: ocultação, contradição, correcção, circunstância superveniente ou melhor ponderação. A política tem regras parecidas com as que vigoram no futebol, nalguns negócios e na guerra: o único critério importante é ganhar. Só são condenados os que mentem e perdem. Os que mentem e ganham são respeitados.
(...)
Será possível contrariar esta nefasta tendência para a mentira? É difícil. Não há esperança nos deputados. Como estes se tratam sempre, uns aos outros, de mentirosos, já ninguém acredita. Se a nossa imprensa, escrita, falada ou televisiva, estivesse à altura, talvez a sucessão de mentiras não fosse tão rica. Mas também parece que, com frequência crescente, a imprensa gosta deste novo hábito. Que usa com volúpia. Ou perdoa com malícia.
Blog Sorumbático

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