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When you lose, don't lose the lesson

segunda-feira, abril 06, 2009

A lei do silêncio

“Não sei se o mundo já está plano,
mas está certamente a ficar cada vez mais plano”

Thomas Friedman



Passando de carro por Lisboa, não tive outra opção senão olhar para o Exmo. Senhor Professor Doutor Vital Moreira, em cada semáforo, em cada esquina, estampado em outdoors enormes, com a mensagem intrigante de “Nós, Europeus”.
Não creio que o Exmo. Professor Doutor consiga angariar mais votos para o Partido Socialista. Aliás, estou quase persuadido a admitir que a ideia é precisamente essa, sabendo de antemão que o cabeça de lista irá com certeza montar casa em Bruxelas, neste novo tempo de Obama, para dar uma mãozinha na nova Europa pós-bush ou pós-neocons.
Impressionado com os outdoors, de tão exagerados, por associação linear de pensamentos decidi praticar umas releituras em diagonal. Folhei o livro de Rui Perdigão, “O PCP visto por dentro e por fora”, da editora Fragmentos, de 1988; lembrei-me de Cândida Ventura e das fascinantes histórias que um amigo me foi contando sobre ela, julgo que a viver em Vila Franca de Xira; recordei o divertido José Pinhão - que me comprou uns quadros - ou o Chico da Cuf, que conheci na editora de um amigo. Na realidade, a mensagem “Nós, Europeus”, associada a Vital Moreira, introduziu-me num mundo de dúvidas e descrenças, por assim dizer, de propriedade niilista.
Também peguei em dois livros de Zita Seabra – “Foi Assim”, da editora Alêtheia, de 2007 e “O nome das Coisas – Reflexão em tempo de mudança”, das Publicações Europa-América, 1988. Reli os sublinhados.

É uma data incómoda sem qualquer dúvida para muitos daqueles que , mantendo-se fiéis ao socialismo, diferenciam entre a ideologia que defendem e os erros, distorções e desvios da sua aplicação prática.
Sublinhado no capítulo “Praga – 20 anos depois”, em "O nome das Coisas"
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Acaba de ser trazida a público a tragédia de Kuropaty. Perto de Minsk foi descoberto um lugar de execuções maciças.
Este lugar de morte funcionou todos os dias, de 1937 a Junho de 1941. São soviéticos mortos, fuzilados com uma bala soviética. (…)
Como em média cada túmulo contém 200 cadáveres, como até agora foram descobertas 510 valas comuns deste género, nós teremos o número de 120.000 vitimas (…).
Sublinhado no capítulo “Ainda o Passado”, em "O nome das Coisas"
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Para transformar a realidade é imprescindível começar por não a esconder. (…)
Só assim poderão identificar-se connosco os que aqui em Portugal, como por todo o mundo, sonham com uma sociedade em que os homens consigam libertar-se de todas as opressões e que dão a esse ideal o nome de socialismo.
Sublinhado no sub-capítulo “ Assumir o Passado”, em "O nome das Coisas"

Em suma: perplexidades metafísicas provocadas por um simples e paradoxal cartaz.
Estou a ficar velho!


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