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When you lose, don't lose the lesson

sexta-feira, maio 04, 2007

Às intercalares, “cidadões”?

As tentações e as pressões são imensas e constantes. É vulgar afivelar uma atitude de defesa (parcial) inconsciente e ao género do “deixa andar, que logo se verá“, sustentada no princípio em vigor “o futuro a Deus pertence“.
Uma gaita!



As coisas acontecem perante o espanto dos eleitores/contribuintes como se o filme fosse de outro mundo. Espectadores, quando devíamos ser protagonistas, habituámo-nos a ser benévolos com os desvios à ética, sobretudo a republicana. Toleramos os deslizes de gente que consideramos de bem. As anormalidades na vida política foram gradualmente consentidas e aceites na nossa brandura viciosa (ou temente) para com os poderosos. Toleramos por medo, estou certo - ecoando nos sítios esconsos o aforismo “há mais marés que marinheiros” ou “muita água vai correr por debaixo desta ponte”, sendo que os mais atrevidos optam pela intimação “na volta cá te espero “. E entre uns e outros (pingos da chuva e assobios para o lado) os transgressores, sabendo dos seus pecados, repetem à exaustão a sua condição de gente séria e redizem da sua inocência, ganhando tempo do presumivelmente inocente até serem finalmente considerados culpados. Riem-se na nossa cara, como que, no fundo, desprezando as pessoas. A atitude de condescendência equilibra-se com o oposto radical, o dos juízos peremptórios e cruéis, apenas por aquilo que se ouve dizer. Assume-se o rumor, sem mais nem quê, como se fosse verdade reprodutível e passível de repetir sem nos vincular à imbecilidade - conquanto esse eco tenha direito a primeira página, abra os telejornais ou corra na blogosfera. É isso: berramos por sangue na praça pública ou permitimos calando-nos para evitar que nos pespeguem o rótulo de imbecis sem perspicácia política. É isso: esta necessidade de não sermos tolinhos compromete-nos com o paradoxo de não o sendo, acabamos por o ser de facto através do mutismo. Ah… esta alma gentil, de pescadinha de rabo na boca, que se vai partindo.
Francamente não acredito que o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa não tivesse consciência da extensão e das implicações inter-particidárias dos problemas. Tal como acho que não teve traquejo negocial para o resolver, de modo a evitar tanto alarido, sendo seguro que estivesse por dentro dos compromissos, das tácticas e da estratégia, visto não se chegar a presidente apenas porque se tem um ar de pessoa séria que, convenhamos, deve entender minimamente o que representa a condição de independente à frente uma candidatura partidária.

Diz-se que a Câmara entrou em "falência" vai para um largo tempo. Por isso devia haver mais, muito mais para além dos escritórios em Londres e das feiras para coleccionadores de motorcycles, e dos ratings que nos enchem a boca. Seria útil que as feridas expressas viessem misturadas com algumas explicações em linguagem comum, descodificada. Quem tiver dois dedos de testa reconhecerá as razões que levaram a oposição a condescender com o descalabro político da coligação. Aliás, um pragmatismo com um preço muito elevado para os lisboetas e para a cidade, um comportamento que não tem a ver apenas com o óbvio vazio de poder nem com a falta de jeito de certas pessoas para estas coisas de gestão autárquica, mas antes com uma cidade refém de um modelo de desenvolvimento. Há razões políticas que o coração dos eleitores desconhece e assim continuará. Presumo, porém, apesar deste caso pioneiro (creio), que a culpa irá mais uma vez morrer solteira e a lição de moral não servirá para nada, sendo certo que não se pode mandar "borda fora" nem lançar para o desemprego um presidente da câmara da cidade capital, nem sequer contabilizar a sanção na rubrica dos "custos de capitalidade".
Espero que os funcionários municipais entendam o que representa a Câmara ter contraído um empréstimo para pagar salários e o que isso significa de alienação patrimonial ou dívida de curto prazo. Se não houver uma intervenção rápida do Estado Central, francamente não sei como é que o problema vai ser resolvido. A situação recomendaria eleições regulares antecipadas e não apenas intercalares para a Câmara Municipal. Acontece que “só um louco aceitaria ser candidato (do PSD) a Lisboa nestas condições”. E, naturalmente, seria suspeito haver agora outro incêndio, quando ainda não se acabou de fazer o rescaldo do incêndio anterior.



O engenheiro Carmona Rodrigues não sai. E faz muito bem. Aconselho-o, porém, a andar de capacete. Homem prevenido vale por si. É que a fúria dos deuses e as vendettas dos homens normalmente caiem das nuvens… e às vezes tombam do zénite mais inesperado. No fundo, no fundo, parece-me que o único vereador que acabará solidário com o engenheiro Carmona vai ser o Dr. Sá Fernandes, incrivelmente e por genuíno fair-play político.
Registei o esclarecimento sobre a zona ribeirinha de Lisboa.

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