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When you lose, don't lose the lesson

segunda-feira, abril 23, 2007

Contrafacções?

Há uns largos anos, tentando descortinar o mistério do sucesso de algumas figuras da vida política, um amigo esclareceu que para se estar na política era forçoso ter um amigo empreiteiro, um ou dois contactos nos palops, um ou dois contactos em Macau, pelo menos uns dois tipos para o trabalho sujo e umas simpatias na comunicação social. Quanto aos empreiteiros, passados uns quantos anos, creio que estamos esclarecidos do poder que angariaram, ao ponto de prescreverem as decisões políticas. Em relação ao pessoal do trabalho sujo, qualquer um, com dois dedos de testa, conseguirá fazer um mapa rudimentar, tanto com as figuras disponíveis enquadradas na situação, como com os visíveis e invisíveis da oposição. Os contactos nos palops é coisa que se vai vendo… Quanto a Macau dá vontade de vozear, como o outro, “It’s Macau stupid !
Não sejamos anjinhos: quem engendrou esta maquinação contra Sócrates teve conivências no interior do Partido Socialista ou então já teria sido possível circunscrever a coisa que ainda alastra. O assunto começou por ser interessante, mesmo sem ser político. Mas a verdade é que, traço a traço, foi dando forma ao retrato prático e assustador da índole do outro país que também somos, um quadro realista com a alma atrofiada, naturezas deformadas expostas na substância dos enredos e nos meios usados para embutir uma ideia, por meias palavras, na cabecinha formatada de um povo que já está por tudo, conquanto sejam cabeças a rolar e muito, muito sangue e muitos, muitos golos e muito, muito Floribelas. Considerando esta situação que, sublinhe-se, não é contingente mas sim de crise, sem que os “profissionais” consigam definir concretamente quais os envolvimentos e extensões, acho que os manhosos de serviço, no governo e no PS, evidenciam graves fragilidades, comportando-se como "escuteiros" e meninos do coro, tendo em conta os métodos e os processos que regularmente são usados pelos adversários, sejam eles infiltrados, exteriores à organização partidária ou avençados pardos a ganhar a vidinha.
Pode-se desenganar quem pensava que batemos no fundo. A coisa tem ainda uns quantos episódios programados de modo a que os detractores consigam dizer o que exigem, sobretudo quanto ao que deve ser a próxima presidência europeia, durante a qual, ao que parece, a dinâmica fundamental decorrerá da discussão sobre as economias africanas emergentes.



Achava que já tínhamos chegado ao fundo do fundo. Mas esta das coisas blindadas, encerrando documentos potencialmente graves sobre a licenciatura de Sócrates (e de outros que necessitam de blindagens) é mesmo o retrato acabado das contrafacções de gente que lançámos para as feiras políticas, para os bazares dos comércios, com quem se estabeleceram profundas cumplicidades. O cofre blindado da outrora prestigiada universidade deixou à vista um jogo que o mundo da política nunca deve mostrar. Muitas ilações podem ser tiradas tendo em conta um comportamento que se calcula ser norma num determinado espectro de vidinha. Um jogo que se pode jogar nas penumbras dos gabinetes, mas que não deve transparecer para a praça pública - não se aprendeu nada com a Moderna. Aliás, o processo evidencia que José Sócrates não é o alvo principal. Sócrates é pouco. Sócrates serve por ser apenas o elo com mais fragilidades, a partir do qual se pode expor a escala dos interesses e a abrangência das “engenharias“. A demarcação de Cavaco Silva é sintomática do que pode estar ameaçado e do que pode estar em jogo. Na minha opinião, dê-se-lhes tudo o que pedirem, inclusive um terceiro ou um quarto aeroporto. Dê-se o cobre e o cabo. Dê-se as "refinarias". Dê-se os apeadeiros que quiserem no “alta velocidade”. Dê-se mais pretextos para cimento e mais pretextos para aço. Dê-se a televisão interactiva terrestre.
Sócrates, se já tinha ambição quando fazia política partidária, desejando mais do que o regaço da Assembleia da República, não devia ter deixado um único argumento para os adversários se divertirem com o circo.
Há no ar uma demência pestilenta que começa a sufocar.

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