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When you lose, don't lose the lesson

segunda-feira, junho 29, 2009

Actores fatigados?



No meu círculo de amigos, quando o PS sobrevivia na oposição, nunca poupei críticas a algumas personagens do governo de Durão Barroso ou de Santana Lopes e a este durante a sua presidência na Câmara Municipal de Lisboa. Antes, na última fase do governo de Guterres, vendo que uma certa tropa sequiosa de trocos estava a seguir à risca as "instruções", fazendo pela vidinha antes que a coisa acabasse, larguei críticas, sobretudo nas situações em que me parecia que alguns gananciosos desvendavam o dinheiro como o seu objectivo principal, aproveitando as suas posições de pequeno e grande poder. Apesar de ter sentido na carteira o cacau que brotou no tempo do cavaquismo, critiquei certas figuras públicas que estragavam o ambiente – entre elas Dias Loureiro e o negócio do saneamento em Marrocos –, dando sustentabilidade ao que mais tarde Guterres, na hora da desistência, classificou de "pântano". Conhecendo o PS desde 1974, fico incomodado quando penso sobre o que ele pode representar ou ser enquanto escola, retirados uns quantos valores e princípios orientadores. Talvez por isso reconheça em Sócrates muitos dos estigmas da cartilha "política", em particular quando tenta fazer com que a mentira pareça verdade – provavelmente inebriado com os fascinantes cenários construídos pela circunstância das suas próprias palavras… ou que lhe constroem. Porém, tendo em conta o frenesim duma certa cavalaria imbecil, gabo-lhe a persistência e o esforço, apesar de me parecer que os pequenos poderes, aliados aos grandes, o podem fazer passar de um bom líder para idiota útil no tempo dum fósforo.
Não será exagerado concluir que nestes últimos tempos a mentira fez escola, convertendo-se não num instrumento político aceitável e positivo (nalguns casos, claro), mas antes num empecilho instalado no discurso e na descodificação deste. Será a insistência na mentira – não na verdade, como nos quer fazer crer a Dra. Ferreira Leite, veja-se a dificuldade da senhora dra. em a usar de maneira escorreita – que poderá acentuar o desaire do PS. Todavia, não é recomendável deixar de mentir, especialmente em política. O que é aconselhável é rever a maneira de dar forma às mentiras. Caso não se consiga alterar a construção do discurso, de modo a torná-lo mais autêntico e persuasivo, então talvez seja útil pensar em mudar o actor e escolher um menos cansado e mais convincente, um outro que consiga provocar palmas genuínas, mesmo mentindo. É que, em política, o cansaço, a saturação, a previsibilidade não perdoam.


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