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segunda-feira, abril 23, 2007

Cadeira do Poder (1996 ou 1997)

Invenção de notícias
(…) passou olhar-se melhor e passou a construir temas do quotidiano nos programas de informação semanal. Mas, paralelamente a isso, há um género de programas que é de contaminação. Programas que não percebemos muito bem se são de entretenimento ou de informação. Numa primeira visão eles parecem de informação, mas olhando com atenção parece que não são. Por exemplo, havia um programa chamado A Cadeira do Poder, que “elegia” semanalmente por meio do “voto” dos telespectadores um primeiro-ministro. E você diz: "então é um concurso!" Mas eu digo: os concorrentes eram pessoas da classe política e um deles foi realmente primeiro-ministro recentemente, que foi o Pedro Santana Lopes. A leitura desse programa foi muito polémica. A Cadeira do Poder tinha um noticiário que era apresentado por uma modelo, mas tinha peças que seguiam, aparentemente, critérios jornalísticos. A primeira peça desse noticiário dava conta de um despiste do secretário de estado da juventude em Lisboa (António José Seguro). O carro dele tinha caído ao rio e ele estava acompanhado de uma namorada, apesar de ser casado, portanto seria um caso extraconjugal. Esse secretário de estado exigiu que a SIC o convidasse no dia seguinte para o Jornal da Noite, para ele desmentir a notícia desse concurso. Repare o limite das fronteiras. Depois, em tribunal, ele ganhou um processo e a SIC teve que o indemnizar.
No âmbito do jornalismo policial desenvolveu-se também muito o jornalismo judicial. E depois houve um programa que era feito a base de um polígrafo (detector de mentiras) e convidava pessoas que tinham sido condenadas em tribunal. O primeiro programa foi um dos que obteve maior audiência em Portugal nos 10 anos que eu analisei. O convidado era um padre (Frederico) que tinha sido acusado, num processo de pedofilia, de ter morto um afilhado. Ele foi a esse programa e o polígrafo disse que ele era inocente. As pessoas fizeram sessões públicas para ver o programa, que chegou a ser debatido na Assembleia da República. O apresentador era um jornalista.
Habituem-se!

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