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When you lose, don't lose the lesson

segunda-feira, abril 27, 2009

Encaracolados…

Aprender línguas para ler os clássicos, equivale a estudar geografia para fazer colecção de selos
Pitigrilli



No dia 25 de Abril, para abreviar a comemoração, mantive-me em contacto com um amigo da situação, dado a desfiles. Logo que ele me informou do fim da manif, zarpei directo aos restauradores, estacionei o carro, e corri para a esplanada na rua das Portas de Santo Antão onde estava o grupo a comer caracóis, a beber imperiais e no corte sobre uns tipos do governo, aqueles que estão visivelmente em roda livre aproveitando a soltura da despesa. Preferi não fazer comentários, apenas ouvi-los, já que esta terrinha, tal como mundo, está perigosa.
Nos últimos anos adoptei a sugestão de um amigo que aparecia sempre no final das festarolas, das recepções e dos croquetes oficiais, apertando a mão a todos. Assim mostrava-se, separando o acessório do essencial, com absoluto pragmatismo. Foi por causa de exemplos como este e um cúmulo de desmesuradas contradições e mentiras que para mim o 25 de Abril, gradualmente, passou a ser o tempo de referência dos caracóis e das cervejolas, pouco mais do que um ritual.
Regressei a casa, depois do jantar, com as mesma certezas e as mesmas dúvidas.
No dia seguinte, para rematar, encontrei este post cómico e muito elucidativo do meu amigo Vasques sobre estas coisas das “tradições” e dos rituais políticos. Convém ler, porque é uma nota honesta que devia ser lida aos putos dos primeiros anos escolares, já que ele escreve com conhecimento de causa, sobretudo no antes 25 de Abril.
Os nostálgicos de um «Abril» que esteve quase a acontecer voltam a descer a Avenida; estão à espera que apareça uma nesga por onde regresse o passado. No Parlamento, onde se reúne, neste dia, a fina-flor do «Abril» que aconteceu, os discursos saltaram de gavetas empoeiradas; estão delidos de tanto uso. Há no ar um cheiro a compasso de espera; a tempo de vésperas. Para uns, quem espera desespera; para outros, quem espera sempre alcança. A ver vamos.
botlink Hoje há Conquilhas, amanhã não sabemos


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