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When you lose, don't lose the lesson

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

O João…

… está disponível. Não sou eu que digo. É ele próprio que se insinua no Portugal Diário. O João diz não estar "indisponível" e com toda autoridade: foi o único presidente de Câmara que caiu num buraco duma obra, que me recorde. O acidente aconteceu, de facto, por "paixão" pela cidade.

Em tempos, há cerca de um ano, num jantar com um amigo acabado de ser nomeado para um bom lugar (por conseguinte, mais um jantar à borla), introduzi na cavaqueira a possibilidade de ainda haver espaço político para João Soares. A reacção, que me espantou, foi imediata e peremptória quanto a qualquer veleidade de João Soares vir a ser convidado para um lugar de poder, enfatizando o facto de estar acabado politicamente. Presumi que no segredo dos deuses João Soares teria o julgamento decidido por um delito qualquer de lesa- pátria ou lesa-povo, uma enormidade da qual não conseguirá redimir-se aos olhos dos poderosos. A contestação foi tão expressiva que fiquei com a impressão de esta encobrir uma represália que rondava a coisa abominável: o rancor - um sentimento que se sedimenta com imensa facilidade no universo da política, tal como a inveja. Todavia, “Salvatore Stupido“, não entendi se a refutação era genuína ou apenas efeito dos copos. Mas fiquei a ruminar no assunto.

Passadas umas quantas peripécias indecentes que nos levaram a esta pouca vergonha “política”, esperando que se concretize a última encenação do PSD, que é colocar em cena presidencial a actual vice-presidente, a vereadora Marina Ferreira, fraquinha, mas útil, agitam-se as mentes mais ambiciosas e mais informadas, pondo a descoberto as tendências ao centro, tanto no PSD como no PS, bem como se descobrem triangulações insólitas de cada disposição no actual cenário partidário e camarário ao centro.
O João não diz estar disponível. Mas não está "indisponível". Disposto, quererá ele dizer, para negociar uma concertação à Esquerda, incluindo umas sensibilidades do PS, o heterogéneo BE e o PCP, com algumas pontes para o centro e uma certa direita liberal. O João e mais uns quantos que se sugerem a eles próprios para candidatos, que passaram, assim sem mais nem menos, a desejar o poder da Câmara de Lisboa. Isto quanto à presidência. Em relação a lugares elegíveis para vereações nem vale a pena falar na bicha de interessados e a chegarem-se à frente. Que espectáculo engraçadíssimo!

Também gostaria de me inscrever… Ainda vou a tempo?


(Creio que foi Rui Godinho, antes de sair da Câmara, que terá dito, a propósito da lama nas ruas por causa do túnel da João XXI, que teríamos obras por mais 30 anos. Entretanto já passaram para aí uns doze... Não desistam.)

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