Semanada >   H. Jackson Brown, Jr.
When you lose, don't lose the lesson

sábado, maio 09, 2009

Size L – de Large



Especulemos: na pré-história dos dinheiros marginais, ao que se conta, eram as malas de viagem cheias de marcos, de francos, de pesetas, de dólares, de coroas suecas, de liras, caldeirões de dinheiro vivo. Depois, porque os patrocinadores, sobretudo os instalados no estrangeiro, começaram a interrogar-se sobre o destino dos donativos em nota, o tamanho das malas foi encolhendo, passando rapidamente à dimensão dum tijolo em saco de plástico ou embrulhado num jornal. Com as alterações da lei, a coisa acanhou ainda mais e passou a cheque ou, para não perder o hábito, acomodou-se à volumetria de um envelope para caber no bolso, em muitos bolsos, mantendo-se, porém, sempre, o velho sistema da mala – e ainda hoje se diz que quem carrega a mala acaba por ter uma boa posição no partido e no governo. Agora, ao que parece, voltamos à mala com dinheiro vivo.
Quanto à legislação que vai sendo produzida sobre este assunto, com mais espaço de mala ou menos papel no envelope, não acredito que consiga disciplinar os fluxos da coisa em nota ou controlar estas entradas de dinheiro para o bolo, sem possibilidade de fiscalização. E isto aplica-se a todos os partidos, mesmo aqueles que se querem mostrar virtuosos nas questões do financiamento. Falar de financiamento de campanhas é o mesmo que falar de trocos e de contabilidades domésticas de cada partido. Os créditos e o grosso das transacções percorrem outros caminhos e têm outras finalidades. Destinam-se ao “grande jogo”, por vezes agregado a negócios de Estado. Dizem. É provavelmente por isso que a memória de Dias Loureiro se dissipou. E será também por razões comparáveis que não se quer enfiar a eito pelo “enriquecimento ilícito”. E ele há muitos novos-ricos, uns derivados das malas, outros sem elas.


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