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When you lose, don't lose the lesson

terça-feira, março 11, 2008

Debates civilizados

Por entre tanta violência, selvajaria, anormalidade, é saudável para mim conseguir registar nesta geringonça efémera, que é um blog, dois apontamentos sobre assuntos relacionados com pretextos urbanos. O primeiro tem a ver com as palavras simpáticas de Eugénia de Vasconcellos, do blog Mátria minha, que visito regularmente, lendo as notas com imenso gosto, rendido ao encantador destes “dias governados pelo Deus dessas (destas) pequenas coisas". Fica, pois, o meu agradecimento.
Também neste círculo e urbanidade, foi com imenso agrado que acolhi o link que o Professor Adelino Maltez, do blog Sobre o tempo que passa, teve a cortesia de fazer a este modesto Vida das Coisas, a propósito desta coisa do Amor e do Ódio que movem pessoas com concepções diferentes do mundo e da sociedade.
Falando de Mátria - ou Pátria ? -, neste dia de Prós-e-contras, em que se debateu, sobretudo, acepções de Pátria - ou Mátria ? - e de Estado, em torno das ideias de Liberdade e Democracia, nos contexto racionais e metafisicos da República e da Causa Monárquica, de conceitos de afecto e de Amor, com um nível de civilidade e cultura invulgar, creio que será ajustado registar dois poetas e dois poemas - Natália Correia e Manuel Alegre - para que aqui, neste canto meu, não se perca a poesia e o sonho.
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(Na foto, para além de Natália Correia e Cardoso Pinto, lá está o meu amigo João Isidro, notável veterano do jornalismo e grande arregimentador do primitvo MRRP, entre muitos recrutados, o Durão Barroso, de má memória.)

Poema destinado a haver domingo

Bastam-me as cinco pontas de uma estrela
E a cor dum navio em movimento
E como ave, ficar parada a vê-la
E como flor, qualquer odor no vento.

Basta-me a lua ter aqui deixado
Um luminoso fio de cabelo
Para levar o céu todo enrolado
Na discreta ambição do meu novelo.

Só há espigas a crescer comigo
Numa seara para passear a pé
Esta distância achada pelo trigo
Que me dá só o pão daquilo que é.

Deixem ao dia a cama de um domingo
Para deitar um lírio que lhe sobre.
E a tarde cor-de-rosa de um flamingo
Seja o tecto da casa que me cobre

Baste o que o tempo traz na sua anilha
Como uma rosa traz Abril no seio.
E que o mar dê o fruto duma ilha
Onde o Amor por fim tenha recreio.

Natália Correia
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Uma flor de verde pinho

Eu podia chamar-te pátria minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este amor é de Pedro por Inês.

Mas não há forma não há verso não há leito
para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.

Gostar de ti é um poema que não digo
que não há taça amor para este vinho
não há guitarra nem cantar de amigo
não há flor não há flor de verde pinho.

Não há barco nem trigo não há trevo
não há palavras para dizer esta canção.
Gostar de ti é um poema que não escrevo.
Que há um rio sem leito. E eu sem coração.

Manuel Alegre

seta link Mátria Minha
seta link Sobre o tempo que passa


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