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When you lose, don't lose the lesson

sábado, dezembro 08, 2007

Facing Reality


Os povos têm os governantes que merecem
Máxima Rabínica
A Cimeira que decorre em Lisboa, uma iniciativa que foi sugerida por Cavaco Silva, creio que no seu primeiro discurso como Presidente, é, pode-se dizer, o modelo acabado do mundo que somos, um compactado de hipocrisia e de desumanidade. As minhocas poderosas nas “deliberações” que a UE produz, para o povito ver, para se enganarem uns aos outros e exercitarem o cinismo diplomático, não passam de palavreado e falso moralismo. Pacheco Pereira, a propósito de Mugabe, diz o seguinte e diz bem:
O problema está na deliberação de 2002 que impediu Mugabe de vir à Europa. Se foi considerada necessária e correcta, então devia ter sido levada a sério, e só havia cimeira com quem aceitasse a exclusão de Mugabe. Se a UE respeitasse as suas proclamações de boa moral universalista e se respeitasse a si mesma, teria sido assim. Mas como acontece com muita política externa da UE, esta é uma mera retórica moralista, boa para as consciências correctas, que nos momentos de apuro económico e de encolhimento do "espaço" comercial, como é este com os chineses a implantarem-se em África, é imediatamente substituída por mais "realismo". No seu conjunto, é má diplomacia, mostra de fraqueza e de indecisão.
Post no Abrupto
Obviamente que a cedência europeia tem a ver com a corrente fechada dos dirigentes africanos, ligados entre si por estranhas solidariedades e obscuras cumplicidades, que congregam um punhado de gente civilizada e correcta, com ladrões e criminosos declarados universalmente. O sentido prático, a atitude que resultou no “Acordem” de José Sócrates ou num “Foi Porreiro, pá” do mesmo dirigente, são interjeições “europeias” que encaixam na perfeição no futuro previsível da Europa, cada vez mais artificiosa, mais hipócrita, mais “parceira” de gente não recomendável, conquanto haja comércio e negócio.


Liu Jianhua: “Yiwu Survey”. 2006

Os chineses são um dos principais motores dos efeitos negativos da globalização, com um crescimento estupidamente acelerado que gera submissões dificilmente descartáveis. Como alguém disse, os chineses precisam de exportar mão-de-obra, arranjar trabalho para 20 milhões de criaturas, todos os anos, com a óbvia tendência da coisa aumentar. E a “exportação” não se confina a África, continente no qual se vão introduzindo com projectos “chave na mão”, trabalhadores incluídos, e um pacote de “comissões” simplificado, com um único interlocutor e sem dispersão de capital, portanto, com a gerência total do dinheiro que investem, tanto no projecto como na corrupção. Esta estratégia de expansão, que reforça a evolução da globalização, irá embater directamente, com grande impacto, na situação dos trabalhadores europeus, prevendo-se que a colisão seja brutal, considerando que os tempos pragmáticos delapidarão ainda mais a qualidade da classe política dirigente, fazendo sobressair aqueles sem o traquejo suficiente para lidar com questões complexas e sem memória bastante para se socorrerem duma desenvoltura dialéctica que permita soluções novas, difíceis e globais.
Quem sabe, tendo em conta as economias dos Estados Unidos e da China, estas venham no futuro a ser o torniquete das economias europeias, reduzindo drasticamente as ditas “janelas de oportunidade” para aqueles, como nós, que perderam a mais-valia da língua e desbarataram as vantagens da pequena escala. Nesta presunção, a Cimeira EU/África, que decorre em Lisboa, pode ser mais outro factor determinante para o futuro da Europa, conquanto não esteja a ser apenas um outro palco para os actores e especialistas em retórica afagarem os egos e montarem simulacros transitórios, a juntar a tantos outros. Logo veremos…
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Ilustração da história e das previsões sobre a economia global. Dinheiro e empregos




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África é um dos territórios preferidos para a expansão económica da China, tornando-se esta, gradualmente, na maior potência económica mundial. Para superar as dificuldades resultantes dos recursos riquíssimos da Rússia e da atracção de investimento por parte da Índia, tendo, por sua vez, que considerar as dificuldades acentuadas que se criaram no “motor” da industrialização, a estratégia da Europa não consegue ser outra a não ser insistir em “parcerias“, mesmo que sejam com países declaradamente violadores dos Direitos Humanos mais graves - e bem podemos berrar para aí à vontade contra ditadores criminosos… A maior parte dessas hipóteses de parcerias são com países intermediários, nomeadamente africanos. É nesse contexto que o nosso grupo português, com ligações directas ao chineses, em particular o denominado “sub-grupo de Macau”, pode ter um papel determinante nas soluções temporárias sistemáticas para a economia aqui, deixando de falar com mediadores, por regra predadores, para falar directamente com os “chefes“, os generais aposentados que realmente controlam o dinheiro, tanto o do projecto, como o dos "trocos".

Enfim... palavras de um leigo curioso.

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