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When you lose, don't lose the lesson

sexta-feira, março 30, 2007

Duas notas chatas, em uma nota

Frequentemente fico a ruminar se devo utilizar o blog para transmitir certas coisas da vida. Demoro tempo a decidir, sobretudo quando as notas abrem fendas na intimidade e concluo que são desinteressantes. Por isso e por norma arquivo os textos sem os inserir. São uns quantos que perderam oportunidade. Mas desta vez (se calhar erradamente) resolvi deixar aqui uma breve nota sobre o Soares Louro, depois de verificar que poucos da minha lista de links lhe redigiram posts.

Soares Louro
Fui encontrando na net muitas referências a João Soares Louro, falecido anteontem e que conheci nas andanças antigas do Partido Socialista, trabalhando com ele (ou para ele) em diferentes ocasiões, algumas exteriores aos “sarilhos” partidários. Não sei se nos poderíamos considerar amigos, mas creio que sim.
Em 1976, por iniciativa própria, em grande medida contrariando as indicações do PS, integrei a equipa de Soares Louro que organizou o dossier de campanha do General Ramalho Eanes. Em 1980, em Eanes Sim, voltei a encontrar Soares Louro nas primeiras reuniões da Estefânia com o General Garcia dos Santos, que resultariam na organização da segunda Cnarpe, na Avenida da Liberdade, politicamente marcada pelo distanciamento de Mário Soares e seu sequente apoio à candidatura de Soares Carneiro.
Voltei a trabalhar para (com) Soares Louro em 1980/81, na equipa da campanha da Frente Republicana e Socialista, com António Guterres na direcção das operações, o Carlos Santos Ferreira, se não erro, no Planeamento, e o meu amigo Edmundo Pedro nas “contabilidades”. Recordo-me também de Nuno Brederode, Vítor Constâncio e Jorge Sampaio, tal como tive o privilégio de trabalhar com Harry Walter, creio que amigo de Soares Louro, responsável pelas campanhas do SPD, para Willy Brandt e Helmut Schmidt e também de Jimmy Carter.



Em 1985, Harry Walter vem novamente a Portugal, por um breve período, para ajudar na definição da “Propaganda” do primeiro Masp de Soares. Nessa circunstância (1985/6) integrei a equipa, uma prerrogativa profissional invulgar que me levou a colaborar com António Pedro Vasconcelos e Nuno Teixeira, bons amigos de Soares Louro, e com Mário Barroso. Soares Louro, coerente, empenhou-se na organização do Zap, Zenha à presidência, movimento com o apoio velado do Partido Comunista.
Nos intervalos destas circunstâncias profissionais e políticas, de quando em quando encontrávamo-nos na Figueira da Foz, nas “romagens” que fui fazendo em trabalho e ao encontro de amigos, tantas vezes para o Casino Peninsular e outras tantas para o Centro Ecuménico do meu protestante amigo José Leite - que, aliás, publicou um livro engraçadíssimo, com o título “O Humor que veio do Frio”, na Editora Perspectivas e Realidades, um risco editorial de João Soares.
Depois, de quando em vez, lá íamos trocando umas palavras, sendo que me recordo de uma das últimas conversas no gabinete da Expo 98, com o charuto, meio consumido, ao canto da boca, o seu sorriso trocista, a voz roufenha e um sentido de humor a meu gosto, um daqueles homens com talento e que naturalmente respeitamos, de grande coração, com poder qb, que, na realidade, não se levam muito a sério, sabendo separar o essencial do acessório da vida e, com é obvio, amigo do amigo.
Morreu com 74 anos. Em Santa Maria. Doença prolongada. Não sei se terá sido tratado nas cadeiras que eu conheço bem, mas decerto esteve, mesmo assim, em muito boas mãos. Ao contrário do meu amigo João, acho que o corpo foi velado no sítio certo: a Casa Pia. Antigo aluno, director da instituição e associado de tertúlias casapianas, que regularmente irmanam pessoas de grande nível na nossa sociedade e em todas as áreas de actividade, pobres e ricos. Se tivesse que ser velado num espaço da Maçonaria, do Grande Oriente Lusitano, então seria indicado fazê-lo para os lados de Arganil, lugar que me faz lembrar o generoso Comandante Simões Coimbra e dos respectivos detractores na circunstância, que foram invadindo sub-repticiamente também esta instituição.

Não, não acredito… nos diz que disse

«nous devons absolument libérer les initiatives et les capacités d´innovation au lieu de les freiner pour mieux répartir la pénurie»

Há leituras que nos pasmam. A nota através da qual João Gonçalves (Portugal dos Pequeninos) nos remete para um comentário de uma outra sua nota, expõe uma situação espantosa e complicadíssima que, aliás, no caso de ser verdade constitui um imbróglio difícil de justificar em termos políticos, visto não assentar em nenhum esquema estratégico nem programático com o qual o Partido Socialista se apresentou ao eleitorado, no campo da Cultura - situação invulgar que malbarata as valências positivas e os compromissos transparentes que levaram às nomeações.
Poderia, na minha insignificância, remeter esta nota ao cuidado do gabinete ministerial. Por piada, destiná-la também a outros gabinetes e a alguns amigos. Mas prefiro enquadrá-la na atenção do simpático Ruben de Carvalho, que admiro. Para além do rumor/comentário que linko, faço também outro link à teoria do Teatro/Escola. Porque, a serem provadas as irregularidades graves, é caso para dizer se não seria mais razoável ficarmos pelo Teatro e deixarmos a “Escola” sossegada, enquanto não definirmos o que esta quer ensinar e o que esta quer que se aprenda no que respeita a Teatro.
Não comento, nem adianto uma opinião - que, no fundo, não faz falta nenhuma no meio de tanto doutorado auxiliar em artes e na matéria em questão. Mas, por razões que prefiro não expor, se for verdade o escrito (o que francamente me custa a acreditar), não será legítimo perguntar se alguém vai transmitir publicamente uma breve justificação, no mínimo, convenhamos, política. Tanto mais, visto haver a indicação de um défice cerca de 1,7 milhão de euros por justificar, segundo dizem, e a coisa já penetra noutro foro. Défice “político” que em cabimento efectivo faria um jeitão em instituições como, por exemplo, o Museu Nacional de Arte Antiga.


Imagem sacada no blog TóColante

Se calhar seria interessante saber o que pensa a Comissão de Trabalhadores. Ou a Sra. Fernanda Câncio, quanto a protecções. Ou a actual opinião de uma certa pessoa que me disse em Junho ou Julho de 2006, “Eu sei perfeitamente o que quero!”. Ou o Dr. Augusto Santos Silva. Para não referir quanto seria interessante saber o que pensam os responsáveis da pasta. Ou, em última instância Pedro Magalhães Ribeiro, vereador na área da Cultura da Câmara do Cartaxo que, ao que o comentário afirma, tem sido um dos beneficiários... politicamente falando.

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